Relação entre Mass
Media e Política. Comunicação apresentada ao III Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, realizado em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1994, a propósito da popularidade e do acolhimento dispensado pelos
media ao presidente de um pequeno partido de
direita (Manuel Monteiro, um jovem na altura com apenas 28 anos, presidente do CDS). Tendo ganho adeptos a explicação de que a ascensão meteórica de Monteiro se deveria ao apoio do jornal
O Independente, de direita, liderado por Paulo Portas, actual líder do CDS-PP, e sendo este um jornal com pouca influência em Portugal, o
autor tentou perceber qual a repercussão que Manuel Monteiro e as suas propostas tiveram na restante imprensa não engajada politicamente à direita portuguesa, procurando, deste modo, algumas explicações para a sua elevada popularidade, que superava a do líder do maior partido da oposição (António Guterres do Partido Socialista). Foram analisados, por isso, os destaques dados a Monteiro em dois jornais diários de referência – o
Público e o
Diário de Notícias - durante o ano de 1992, comparando-os com os destaques dados pelos mesmos jornais ao principal líder da oposição (mais tarde primeiro-ministro de Portugal – António Guterres), tanto no aspecto quantitativo (número de notícias, destaque dado a essas notícias, sua dimensão, seu posicionamento, etc.), como no aspecto qualitativo (temas abordados, posicionamento do jornalista face aos temas, avaliação negativa-positiva, etc.). Com base na análise temática de 246 artigos, será interessante realçar o
facto de o jornal que aparenta possuir uma maior agressividade jornalística contra Monteiro (
O Público), inclusive através de editoriais assinados pelo seu director, ser aquele que mais destaque dá ao líder do CDS. Segundo o autor, Paulo Santos, tal deveu-se ao facto de Manuel Monteiro ter sido uma facto político incontornável (de acordo com os critérios de
Galtung e
Ruge) e, simultaneamente, um facto político apetecível, o que significa que os
temas levantados por Monteiro serem irresistíveis “
para uma imprensa embalada numa onda de moralização e de responsabilização do poder político”. O autor deixa, no final da sua comunicação, uma preocupante interrogação: Se a relação que se estabelece entre políticos e jornalistas faz com que, por parte dos últimos, exista alguma simpatia pelos discursos críticos em relação aos políticos, quem estará, à partida, melhor posicionado para ter cobertura mediática privilegiada? (1) Os que vêm de fora do campo político (Ross Perot nos Estados Unidos ou, noutro registo, magistrados e jornalistas), (2) os que se encontram na franja do sistema democrático (Le Pen) e (3) os que se limitam a produzir um discurso de demarcação crítica em relação ao campo político, mesmo que tal não passe de uma acção de
marketing (no caso estudado, o líder do CDS, Manuel Monteiro). Este estudo está publicado no Volume II das Actas das sessões temáticas do III Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, realizado em Lisboa entre os dias 4 e 7 de Julho de 1994, sob o título "
Dinâmicas Multiculturasi – novas faces, novos olhares”, num livro editado pelo Instituto de Ciências
Sociais da Universidade de Lisboa onde são abordados os seguintes temas:
I.
Identidades Sociais: continuidade e mudança
a. Culturas e modos de vida
b. Géneros e identidades sociais
c. Família e parenresco
d.. Democracia e gerações sociais
e. Classes sociais, estratificação e mobilidade social
II
Valores sociais, modernidades e movimentos sociais
a. Valores sociais e novas éticas de vida
b. Religiosidades, crenças e imaginários sociais
c. Movimentos e lutas sociais
d. Etnicidade, nacionalismo e minorias sociais
e. Mass media: dimensões locais e regionais
O autor realizou este estudo no âmbito de um trabalho de Licenciatura na Disciplina de Sociologia da Comunicação no Instituto de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), de Lisboa.
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