Ou morrer pelo Brasil...
Sergio Ferraz
Na escola, ainda no ensino primário, lá em Minas Gerais, estado onde nasci, era costume diário desfraldar a bandeira nacional e cantar algum hino de letra cívica. Lembro de um que dizia em sua letra...ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil!...
Eu não atinava com o real significado desse hino, o que só vim a saber fazendo o serviço militar. Ali sim, eu fui ensinado a defender a pátria e até morrer por ela.
Saindo do Exército, eu fui aos poucos descobrindo que a pátria não era minha, na realidade. Era dos políticos. E estes, com raras exceções, faziam da pátria o que bem lhes apetecia. Descobri que desde o colonialismo português, até hoje, o povo era direcionado a acreditar numa pátria e que deveria amar esta, mas não era amado por esta pátria (representada pelos políticos), na mesma proporção.
Desanimado com isso, elegi como meus heróis, aqueles que deram sua vida por um ideal verdadeiro de pátria, e não um morrer fictício da canção. Assim, a canção passou a fazer sentido para mim através dos sacrifícios de Filipe dos Santos, de Tiradentes, de João Beckman e de Chico Mendes.
Então, se o amor à pátria era apenas uma hipocrisia pregada em palanques políticos, me apeguei ao amor à minha casa e à minha família. Eles, sim, eu defenderia com meu próprio sangue. E pensando dessa maneira, elegi também como herói a Lampião, que tendo sua casa roubada e sua família assassinada, reagiu contra o sistema durante 20 anos, e pagou com a vida pela sua coragem.
Como já disse, defendo até a morte minha casa e aqueles que amo, mas só defenderei a pátria quando ver dez políticos ao menos lutando ao meu lado contra a hipocrisia e a corrupção que vão aos pouco acabando com o Brasil. Quando a pátria ficar limpa de políticos que a sucateiam e envergonham, daí sim, iremos enfrentar qualquer país que queira nos dominar. De cabeça erguida, amando e sendo amados pela pátria, iremos enfrentar o inimigo externo, e até dar a vida pela pátria...
Sobre os citados heróis acima, Felipe dos Santos, Tiradentes, João Beckamn, Chico Mendes e Lampião, estarei falando deles nos próximos artigos.
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