Contraditoriamente a escola que deveria ser um
instrumento para minimizar a desigualdade entre as classes sociais e nos dirigir
ao conhecimento para nos auto-afirmarmos, é quem nos aprisiona aos ditames e burocracias do Estado, aumentando o abismo entre as classes rica e pobre. Assim cria Maurício Tragtenberg, defensor da Pedagogia Libertária.
Tragtenberg dizia que a relação entre a ideologia, o poder e a educação está intrinsecamente ligada ao papel da escola como elemento disciplinador da futura mão-de-obra para a indústria e burocracia do Estado. Retratando a dialética hegeliana do senhor e o escravo, a burocracia universitária e ministerial exerce influência em forma de controle sobre seus educadores, que por sua vez repassa essa pressão sobre os alunos. Nesse sentido a instituição funciona mais como “domadora” do que como libertária.
A garantia que lei dá sobre o acesso e igualdade de oportunidades na educação se torna uma farsa na medida em que se mantêm a exploração do trabalho buscando unicamente aumentar o capital da classe rica. Atualmente o que se vê é uma escola básica e gratuita para os pobres e a escola particular para os ricos, acirrando assim a disputa entre as classes. Como se pode pensar em igualdades no âmbito
educacional sendo que oportunidades econômicas e sociais são dispares.
Tragtenberg criticava o sistema educacional competitivo que se preocupa em premiar o “melhor aluno”ou “o primeiro da classe”, e que faz repercutir as idéias sócio-econômicas atuais na instituição escolar. Com esse modelo educacional a escola premia o bom aluno e, ao invés de fortalecer o educando fraco, pune-o aluno duplamente, imputando-lhe como “desgraçado escolar” e fazendo com que ele venha evadir-se. Para ele não deveria haver nem premiações nem punições: o bom já o era por si mesmo e o fraco deveria receber apoio pedagógico.
Enquanto perdurar esse sistema educacional e essa pedagogia burocrática, constataremos a prevalência do conformismo nos alunos, desprovidos de senso crítico e cada vez mais submisso às empresas que trabalham ou ao Estado, ficando de mãos atadas para reivindicar seus direitos básicos de assalariado e cidadão.
As mudanças necessárias são lentas e gradativas e exigem a participação efetiva das pessoas interessadas e muitas vezes a perda de posições. Uma reformulação social que proporcione o real sentido da democracia e assegure o direito de oportunidade de organização dos professores e alunos, seja política ou sindicalmente, fará com que o sistema educacional tenha autonomia para ser
instrumento de libertação das classes menos favorecidas.