O conceito de “afrocidadanização” forjado por mim representa meu sonho, minha utopia. Com ele procuro apontar novos caminhos e uma nova realidade às condições históricas vividas pelos indivíduos da população
negra no Brasil até hoje, como alternativa ao que tem sido entendido por “democracia racial brasileira”. Com ele procuro traduzir o sentido e dar
concretude ao significado da “
cidadania plena”. Ou seja, é concebido aqui como a realização de uma verdadeira equidade social na qual todos os indivíduos da população negra, sejam contemplados e plenamente estabelecidos na
sociedade brasileira.
Está alicerçado em três pilares fundamentais que lhe dá corpo e sentido: a) o pilar Afro, que dá significado e concretude à conscientização do indivíduo da população negra de sua
identidade racial positiva, como condição de possibilidade à construção de uma identidade afrocentrada que expressa a sua agência humana, o seu protagonismo histórico, a sua capacidade de pensar, criar, agir, participar e transformar a sociedade por força própria (Nascimento, 2003, p. 96-97); b) baseia-se também no pilar Ação, referencial expressivo e representativo de um processo de luta e de
conquista galgada na participação nos movimentos sociais que aponta um Devir, um Futuro, como conquista, garantia e concretude do seu terceiro pilar, o da Cidadania. Este processo de concretude baseia-se no reconhecimento da identidade racial negra como positiva; no reconhecimento do protagonismo da população negra como fundadora e construtora da sociedade brasileira; no
direito a igualdade e a liberdade; no direito a diferença; no direito a disputar os benefícios sociais em igualdade de oportunidades e de condições. Mas, para a efetivação deste sonho deve-se considerar alguns processos e realizações fundamentais à sua consecução, tais como: a ampliação do “capital cultural”, a partir da das oportunidades educacionais; a mudança de “habitus” cultural da sociedade brasileira, que tem considerado os indivíduos da população negra como historicamente subalternos. Em suma, a afroconsciência de se pertencer a população negra aliada a ação social representa a garantia e a conquista da “cidadania ampliada”.
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