Bruch (1962) descreve as principais características da anorexia nervosa da seguinte forma:
1) Uma imagem corporal distorcida, que consiste na percepção alterada de corpo como gordo;
2) Uma incapacidade para identificar sentimentos e necessidades internas, particularmente a fome, mas também, de um modo geral, todas as emoções;
3) Um sentimento global de ineficácia perante pensamentos e emoções que não são considerados originários do Eu, mas resultantes das adaptações necessárias a expectativas externas;
A autora considera que quando existe a negação do alimento ou do simples acto de comer, significa que há uma procura de plenitude, de competência e purificação, pelo que o alimento recusado torna-se constantemente presente, ocupando toda a actividade de pensamento do indivíduo, para que seja controlada a tentação de a ele sucumbir .
Em 1998, Daniel Sampaio sistematizou as
principais características da anorexia nervosa:
1) Uma doença caracterizada por graves e profundas perturbações psicológicas e complexos problemas no relacionamento interpessoal;
2) Uma doença médica complexa, decorrente da desnutrição e dos comportamentos realizados pelos doentes com intenção de baixar o peso;
3) Uma perturbação com tratamento difícil e prolongado que exige uma equipa multidisciplinar, dirigida sempre por um psiquiatra.
Na maioria dos casos de anorexia nervosa os sintomas e sinais associados são atribuídos ao elevado grau de magreza. Estes sinais e sintomas dependem não só da percentagem de peso perdido, como também da velocidade dessa mesma perda de peso. As queixas são frequentemente ligeiras e moderadas, regridem com a alimentação e desaparecem após o restabelecimento do peso. Todavia, algumas consequências dessa desnutrição poderão não ser reversíveis, tal é o caso da osteoporose. A caquexia, situação extrema e por vezes fatal, é uma situação rara. Os principais sintomas são então, a perda de peso, amenorreia, sensação de enfartamento, sensação de distensão abdominal, obstipação, intolerância ao frio, cefaleias, tonturas, astenia, hiperactividade, apatia, entre outros (Tabela 3) (Daniel Sampaio et al, 1999).