Muitas correntes teóricas colocam a adolescência como uma fase natural do desenvolvimento humano e teorizam uma série de sintomas referentes a essa fase sem preocupação alguma com a origem desse fenômeno, diferentemente da Teoria Sócio-histórica, muito bem colocada por Ana Mercês Bahia Bock em seu artigo "A perspectiva sócio-histórica de Leontiev e a crítica à naturalização da formação do ser humeno: a adolescência em questão", que busca entender como esse fenômeno teve origem e a repercussão dele nos dias de hoje.
Houve grandes mudanças na maneira de produzir a vida com as revoluções industriais, pois ela trouxe tecnologias avançadas e também um grande número de desempregos, conseqüentemente houve a necessidade de retardar a entrada dos jovens no mercado de trabalho e aumentar a exigência em relação ao conhecimento.
Com isso os jovem foi impedido de trabalhar, passou um período maior na escola junto com muitos iguais à ele, ficou mais tempo afastado dos pais. Assim ele, apesar de ter todas as condições para ser adulto, foi desautorizado de assumir esse papel e ficou sem autonomia e dependente dos pais por mais tempo. Todos esses fatores sociais foram enfatizando esse período que o jovem permanece sem a autonomia e foram atribuídos valores sociais para essa "fase" da vida, assim emergia a adolescência.
Essas colocações justificam algumas atitudes dos adolescêntes de hoje, tais como: andar em grupos grandes e conflitos com os pais.
É necessário frizar que esse fenômeno da adolescência foi se modificando ao longo da história e da maneira como o homem produziu a sua vida. Um exemplo disso é que a algum tempo força física no homem era um requisito para trabalho, e hoje é sinônimo de masculinidade e beleza, o crescimento dos seios nas mulheres era visto como algo que seria útil na amamentação e hoje é visto como símbolo de sensualidade e charme.
Muitos psicólogos naturalizam a formação do ser humano, e tentam entender alguns fenômenos, como a adolescência, separado de um contexto, quando na verdade podemos observar a construção desses fenômenos julgados naturais, ao longo da história e com as devidas significações sociais.
De pronto podemos concluir que a sociedade está em constante transformação, assim como as pessoas que nela estão inseridas e conseqüentemente esse fenômeno também se modificará.
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