O QUE É A
MENTE?
A mente é um conjunto de componentes ou de estados independentes, mas também um sistema integrador de
processos dinâmicos de interacção (cognitivos, emocionais e conativos). Assim, a mente surge especificamente em lado nenhum, sendo cada processo importante para outros processos operarem e, ao mesmo tempo afectando-os
E deixando-se afectar por eles. Compreende-se que a mente é algo interno, invisível, privado. Os nossos pensamentos, conhecimentos, sentimentos e intenções são pessoais., enquanto pessoas singulares pertencendo
à experiência pessoal, isto é subjectiva.
A
subjectividade é muito importante na Psicologia, sendo inerente à noção de mente e ao modo como os seres humanos experienciam a sua vida e se comportam. Esta subjectividade é uma síntese individual porque nos identifica como indivíduos singulares e únicos. A ideia de que a mente é algo profundo surge das nossas experiências pessoais – ex: sabemos se sentimos amor ou atracção por determinada pessoa, mas os outros desconhecem. A mente é, então, algo que existe no nosso interior., algo escondido, inacessível aos outros e, nalguns casos até obscuro para nós. Deste modo, o
estudo da mente foi durante muito tempo associada ao conhecimento da consciência e da subjectividade.
Progressivamente, o estudo da mente passou a aprofundar a relação entre o interior e o exterior, isto é, compreender a relação entre pensamentos, emoções, vontades, intenções e comportamentos. Surgiram novos elementos para a compreensão do que é a mente, entre os quais se destacam as representações. As representações transpõem para um mundo mental, existências, realidades, acções mas, também informações sobre o nosso interior: dores, medos, os rostos
à nossa volta. As representações são construções mentais do que existe exterior à mente (objectos, acções, pessoas, etc.) e também do que faz parte do nosso mundo interior. Assim, as representações reportam-se à realidade externa (física ou sociocultural) e à realidade interna (orgânica ou mental).
O sujeito é
activo, na medida em que não se limita a reproduzir mentalmente o mundo: podemos dizer que constrói um mundo a partir dos significados que atribui aos objectos, situações, pessoas num determinado contexto. Existem sistemas de significados que se encontram codificados numa determinada sociedade, da realidade sociocultural e que fazem parte integrante do modo como pensamos o mundo. as nossas experiências pessoais e as nossas interacções estão marcadas pelos significados socioculturais. O sujeito também não reproduz os significados atribuídos a um determinado contexto socio cultural.
As neurociências vão, por conseguinte, investigar as relações que se estabelecem entre o
funcionamento mental e o
cérebro, procurando identificar as áreas cerebrais envolvidas em diferentes actividades e processos. O estudo sobre lesões no cérebro trouxe grandes descobertas sobre as relações entre o funcionamento do cérebro e da mente.
Torna-se cada vez mais evidente que o ser humano é um todo sistémico, uma totalidade empenhadas e que os diferentes processos devem ser estudados em conjunto, pois o que se passa no cérebro dependerá também do que se passa noutra estrutura orgânica.
A mente, sendo apresentado como um todo, activo e transformador, é um conjunto fortemente interligado de elementos que apresenta propriedades emergentes como a auto-organização.
A mente é, assim, um sistema dinâmico e relacional onde o significado, a apropriação e a auto-organização assumem papeis importantes para o seu funcionamento. A mente, como sistema dinâmico de relações entre o ser humano e o mundo, a actividade constitui-se e transforma-se através do envolvimento activo no mundo.
A MENTE NÃO É, POIS, UMA COLECÇÃO DE PROCESSOS, MAS UMA MANIFESTAÇÃO TOTAL.
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