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Shvoong Home>Ciências Sociais>Ciência Política>A Usina de Itaipu e as reclamações paraguaias

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A Usina de Itaipu e as reclamações paraguaias

por : tamura    

Autor : Luís Henrique Tamura

    No fim dos anos 60, o governo brasileiro então sob o comando dos militares, realizou

pesquisas e estudos sobre o sistema energético nacional.
    Este estudo se fez necessário em razão do crescimento do país com a penetração das indústrias automotivas, aumento da demanda por energia com o crescimento das cidades, etc.
    Pelo que foi interpretado, haveria uma clara deficiencia na demanda em tão apenas algumas decadas.
    Por este motivo, o governo determinou a analise pela melhor metodologia de geração de energia e ficou estabelecido que a melhor fonte de energia, mais economica e mais eficiente, seria o sistema hidroeletrico.
    Isso porque a geração de energia por sistema nuclear não seria confiavel e sustentavel. Existem riscos que não podem ser ignorados, porém, o governo mesmo assim, seria inclinado a adquirir usinas nucleares principalmente com a Alemanha nos anos 70.
    A geração por energia eólica não convenceu o governo e dependia de fatores que não faziam interpretar como melhor forma.
    A Usina de Itaipu era um avanço que incitava o ego dos militares. Afinal de contas se tratava da maior usina do mundo!
    Era possível a formação de um grupo de usinas em solo nacional, mas isso poderia comprometer uma extensão significativa do nosso território.
    Para contornar a situação, foi realizado um acordo bi-nacional com o Paraguai, uma vez que parte do território paraguaio seria alagado com a nova usina.
    O Paraguai não possuía e não possui recursos para financiamento da obra. Para compensar a situação, o governo paraguaio aceitou de muito bom grado entrar com uma dívida com o governo brasileiro onde o Brasil entraria com todos os recursos, incluindo valores que foram adicionados à dívida externa brasileira, enquanto o Paraguai entraria com absolutamente nada.
    Para pagar a dívida com o Brasil, o Paraguai venderia parte da energia a que tem direito legal para o Brasil do seu excedente energético, uma vez que da metade da energia gerada, o Paraguai só consegue consumir 5 %.
    O Brasil paga ao Paraguai o valor equivalente ao que é cobrado dos consumidores brasileiros.
    Pelo que o leitor pode entender, o Paraguai foi totalmente beneficiado com a construção de uma Usina hidroelétrica na qual não colocou um centavo sequer, paga da maneira como puder, o que na verdade não é proveniente de outra forma senão a partir da própria energia gerada pela usina, ou seja, efetua os pagamentos por meio dos recursos provenientes dos benefícios aos quais não teve nenhum custo.
    Nesse momento é bom o leitor ser inteirado sobre o assunto, porque o fato de não ter existido nenhuma manifestação contrária nem alguma forma de reclamação contra a Bolívia pelo que fez nosso hermano Evo Morales, nesse momento, o presidente paraguaio para manter sua condição enquanto presidente, pratica manifestações nacionalistas contra o Brasil.
    O Paraguai não gastou nada, entrou com os bolsos vazios para receber e ter lucro, existindo ainda o benefício de receber energia de forma praticamente gratuita e ainda quer mais.
    É como um velho ditado brasileiro que diz: "se dermos as mãos eles querem o braço".
    O Brasil está cercado por países pobres, cujos benefícios sempre são gerados de maneira direta ou indireta, através do mercado de consumo brasileiro.
    A Argentina possui uma relação comercial onde 80 % do que produz é consumido pelos brasileiros.
    O Uruguai não pode sequer ser comentado, para ter idéia, não possui nenhuma mina e é um dos maiores exportadores de ouro do mundo.
    A Bolívia está conseguindo sair de uma condição medíocre desde que foram instaladas e exploradas as fontes de gás natural, onde o Brasil é o principal consumidor.
    O mesmo gás que parcialmente é exportado para a Argentina que não paga um centavo para ter o gás que passa pelo território brasileiro pelos encanamentos que foram instalados aos custos do cofre público brasileiro.
    No caso do Gás boliviano, a Bolívia não teria condição alguma para explorar e necessitava de uma empresa para realização da obra. Quando a empresa (Petrobrás) concluiu e começou a explorar, levou os pés nas costas e teve de sair com fuzis e metralhadoras contra si.
    O Peru não tem recursos e condições para explorar seu gás natural, o mesmo ocorre com o Equador, mas quem será o maluco que irá querer investir recursos e ter o resultado que o Brasil teve com a Bolívia? 
    Os investimentos não podem ocorrer por parte dos EUA, Europa, China e Japão, por que se trata de um produto que não tem como ser colhido e ser armazenado de maneira simples.
    Por estar a uma profundidade muito significativa, o investimento é elevado e os benefícios não são compensadores na visão dos países mencionados, incluindo toda a Europa.
    O gás proveniente da Nigéria tem a facilidade de ser convertido em líquido e poder ser transportado para o Brasil, o que beneficiou os consumidores brasileiros fazendo diminuir o preço do gás nos postos em algo ao redor de 15 % no mes de Abril de 2009.
    Já com relação ao sistema energético e a energia gerada pela usina de Itaipu é muito importante que o público brasileiro esteja atento, pois se trata de uma questão nacional em que pesa o investimento dos brasileiros onde os paraguaios tiveram muito benefício e pelo que aparenta, estão sedentos por muito mais.


Publicado em: maio 09, 2009
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