O Irã está localizado em uma região altamente militarizada do terceiro mundo, conta com a segunda maior reserva de petróleo do mundo e significativa reserva de gás natural. É amplamente difundido que sua importância geoestratégica e econômica somada às assimetrias existentes entre suas forças militares convencionais e as forças militares de outros Estados
vizinhos e das potências globais interessadas na região o tornariam profundamente inseguro, sendo a razão da vulnerabilidade do país. A recente declaração do presidente Ahmadinejad de que o Irã tem o direito inalienável como um país soberano de ter tecnologia nuclear como já possuem seus vizinhos Israel, Índia e Paquistão tem sido interpretada como uma tentativa
iraniana de buscar por poder e proeminência na região e
principalmente de proteger suas
fronteiras de ameaças
externas regionais e globais.
O artigo busca oferecer uma visão alternativa, inserindo o Irã no arcabouço teórico de Mohammed Ayood, que defende que a insegurança do terceiro mundo emana principalmente de dentro de suas fronteiras como reflexo do estágio de consolidação do Estado em que se encontram e da entrada tardia no sistema
internacional de Estados modernos. A hipótese que será testada com o presente trabalho é a de que o interesse iraniano no
desenvolvimento nuclear gira em torno de sua autopercepção como Estado inseguro e da necessidade de neutralizar as pressões externas para uma consolidação efetiva de suas estruturas internas. Busca-se a fonte da insegurança iraniana e analisa-se se é suficiente para a sobrevivência do regime, apenas a garantia de não-intervenção externa.
Mais resumos sobre Insegurança Iraniana - Origem e Perspectivas