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Shvoong Home>Ciências Sociais>Educação>Durmeval Trigueiro Mendes e a Pós-Graduação em Educação no Brasil

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Durmeval Trigueiro Mendes e a Pós-Graduação em Educação no Brasil

por : PabloSantos     

Autor : Pablo Silva Machado Bispo dos Santos
Neste
texto, Durmeval Trigueiro Mendes realiza uma análise da conjuntura educacional brasileira no que tange ao Mestrado em Educação, o qual a essa época (década de 1970) estava surgindo no Brasil. Para tanto, se apóia em elementos concretos (tais como: proposta de estruturação do Mestrado em Educação do IESAE/FGV – Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas) .Segundo Durmeval Trigueiro, os maiores problemas que enfrentávamos na estruturação de Programas de Pós-Graduação em Educação no Brasil eram: (…)uma
prática
excessivamente
rudimentar
e
inconsistente
por
falta
de
conhecimentos
rigorosos
e atualizados.
Ou
então
, as
idéias
atuais
provém do
mimetismo
cultural (p. 249).
Como alternativa a esses problemas, o autor propõe que dois princípios devem ser aplicados às pesquisas a serem desenvolvidas no País, são eles: 1. Deve haver complementaridade e dinamismo entre criação e método para que se aperfeiçoem indefinidamente; 2. O método deve tender epistemologicamente para a universalidade (p. 249). Partindo desse princípio, podemos depreender que haveria uma interdependência entre método e criação, onde ambos acabam por constituir uma única ação reflexiva, a qual possui dois momentos, os quais se integram e se alternam entre si, de acordo com as contingências do objeto a ser estudado. Com base nessas assertivas, Trigueiro Mendes assinala que: o problema de pesquisa no IESAE deve abranger três aspectos essenciais: a filosofia da pesquisa, a estratégia e a articulação com o ensino (p. 250). A partir dessa assertiva, realiza uma análise detalhada desses três aspectos. Em relação ao primeiro, defende a idéia de que a Filosofia da Pesquisa deve estar articulada com o desenvolvimento das Ciências da Educação no Brasil, assim como deve acompanhar os eventos da Política Educacional Brasileira, com vistas a não se tornar estanque frente às mudanças ocorridas no cenário político educacional brasileiro. No tocante ao segundo, propõe que deve a Filosofia da Pesquisa privilegiar a elaboração de um conhecimento empírico, oriundo da reflexividade, mas que permita-nos (…) ir às raízes de inteligibilidade da educação, de suas categorias e de seu processo (p. 250). A esta reflexão ativa, dá o nome de obra do pensamento. Em relação ao terceiro aspecto, demonstra que a pesquisa não pode unicamente ser analítica, mas também prospectiva, ou seja, na mesma medida em que vai às raízes do Problema Educacional, deve igualmente prever as próximas configurações que a conjuntura educacional irá ter em momentos futuros. Para o autor, estas duas dimensões apresentam-se igualmente integradas, e, ainda que pressuponham operações distintas, acabam por ocorrer simultaneamente em diversos momentos da atividade intelectual de pesquisa. Ainda em relação à pesquisa, propõe que deve haver uma integração entre as diferentes áreas do conhecimento, onde haveria: a necessidade de fixarmos a metodologia interdisciplinar (p. 252). Com isso, teríamos uma proposta de pesquisa baseada em uma integração entre as disciplinas e entre as atividades teóricas realizadas em cada uma das dimensões assinaladas.No que se refere à estratégia de pesquisa, Trigueiro Mendes nos informa que: a
pesquisa
educacional
deve centrar-se nas
três
áreas
da
Pós-graduação
:
filosofia
da
educação
(incluindo uma
parte
histórica
),
administração
educacional
(no
sentido
macro-estrutural) e
psicologia
educacional
(p. 253).
Em relação aos parâmetros de avaliação da qualidade da pesquisa produzida, o autor indica que: (...)o
sentido
da
eficácia
que
vai
inspirar
a
pesquisa
educacional
não
deve apoucar-se no
imediatismo
. O
compromisso
intelectual
é
com
a
educação
e
não
apenas
com
as
contingências
a
que
esta se
encontra
vinculada, no
plano
das
decisões
políticas
e administrativas,
ou
da
opinião
pública
(p. 254).
Ao partirmos do princípio acima exposto, somos levados a crer que Durmeval Trigueiro rompe com a falácia do imediatismo presente na educação brasileira, na medida em que propõe que as pesquisas devem ser elaboradas, não com base nas contingências de ordem econômica, administrativa e política, mas sim em função da relevância destas para o desenvolvimento da educação no País.Como forma de promover a integração entre os problemas de pesquisa tratados, e a realidade educacional brasileira, o autor propõe os seguintes mecanismos: 1) a
montagem
de
um
cadastro
dos
especialistas
em
educação
no Brasil; 2) a
edição
de
um
boletim
informativo
periódico
; 3) a
formação
de
colóquios
periódicos
com
administradores
e
especialistas
, à
semelhança
de
tantos
que
se institucionalizaram na América e na Europa.
Sua
particularidade
consistiria no
processo
rigorosamente
analítico
aplicado à
discussão
de
temas
que
interessem à
política
educacional
, visando,
tanto
à
explicação
científica
na
educação
como
a
conciliação
entre
a
ciência
e a
política
educacional
(p. 255).
Estes mecanismos, ao que tudo indica, seriam de importância crucial na prospecção de dados relativos à conjuntura educacional brasileira, assim como seriam igualmente relevantes para discutir, aprofundar e encaminhar soluções para os problemas educacionais diagnosticados através da pesquisa educacional no Brasil.No que tange à relação ensino-pesquisa a ser desenvolvida em um Programa de Pós-Graduação em Educação, Durmeval Trigueiro nos informa que: A) O
curso
não
se organizaria predominantemente,
em
termos
de
aulas
,
mas
de
pesquisas
e
seminários
, destinando-se as
aulas
, basicamente, aos
trabalhos
de
orientação
geral
e de
síntese
teórica
. B) O
aluno
seria assistido
pelos
professores
em
forma
de tutoria, convindo
que
cada
aluno
tivesse
seu
professor
orientador
,
escolhido no
próprio
ato
de
matrícula
(...). C)
Um
dos
principais
instrumentos
de
trabalho
dos
alunos
será a
bibliografia
(p. 257-258).
Deste modo, finaliza o autor expondo de forma clara como se articula a pesquisa e o ensino em uma dimensão integrada na pós-graduação brasileira, onde estas duas atividades se complementam, de forma a se aperfeiçoarem mutuamente.
Publicado em: fevereiro 07, 2007

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