Entender a Matemática como um conjunto de símbolos sem significados é concebê-la a partir de modelos prontos e acabados.
A materialização da Matemática assume sua forma mais exata não na criação de fórmulas pré-determinadas, mas em um conjunto indissociável de ações incorporadas a um número ilimitado de recursos. Prever a educação matemática em salas de educação de jovens e adultos, em especial de alfabetização é ir de encontro a um universo onde a experiência assume papel principal. A Matemática nesta conjuntura passa a metamorfosear-se. O presente trabalho trata-se de um estudo experimental da educação matemática que está em fase de amadurecimento, no qual tem como objetivo geral enumerar e analisar os diversos mitos presentes no ensino da matemática e a construção de novas metodologias para sua práxis. Como metodologia cabe citarmos a pesquisa bibliográfica; realização de visitas periódicas às salas de alfabetização de jovens e adultos assistidas pela Alfabetização Solidária nos municípios de Aiuaba e Arneiróz no Estado do Ceará com a finalidade de coletar dados e efetuar possíveis diagnósticos e; aplicação de oficinas pedagógicas. Ensinar matemática em salas de alfabetização de educação de jovens e adultos é intervir de maneira que o Alfabetizando aprenda: não é deixá-lo construir sozinho, nem supor que tudo que explica será aprendido e que por este apresentar uma “grande experiência de vida” e viver cotidianamente situações que envolvem a Matemática, já a domina. Para isso é indispensável que os Alfabetizandos tenham contato com o conhecimento em questão e que possam ter e expressar suas próprias idéias sobre ele. Durante a pesquisa encontramos Alfabetizadores e Alfabetizandos que classificam a Matemática como algo que provoca medo e ansiedade, chegando mesmo a ser colocado que para a estudar é necessário nascer com dons especiais para tal aprendizado. É necessário levarmos em consideração que entre os diversos fatores que tem dificultado o trabalho do professor de Alfabetização ao ensinar a Matemática em salas de educação de jovens e adultos está o caráter impessoal da Matemática. As pessoas gostam de personalizar os fatos, mas não gostam muito de objetivá-los e de olhá-los de uma perspectiva teórica. Os números estão ligados a uma concepção conceitual do mundo e, assim, esta resistência levaria as pessoas a um enumerismo quase deliberado. As falas dos Alfabetizandos e Alfabetizadores fizeram-nos refletir sobre a necessidade urgente de procurarmos novas metodologias para o ensino da Matemática. O modo como discutiam, o brilho de seus olhos, a praticidade de suas colocações não nos permitia diagnosticar desinteresse pelo o conhecimento; ao contrário, evidenciavam um raciocínio claro e lógico, como é a Matemática.