Resumo:
Aspectos essênciais de combate ao
comportamento agressivo
Autor: Raimundo da Silva Santos Júnior (Juruti)
Em: 19.11.2008
Para nós, o fator modelo tem grande influência na aquisição
e manutenção do comportamento, principalmente em uma sociedade tecnológica. “As
crianças aprendem não apenas o que lhes é dito que devem fazer, mas
principalmente o que vêem ser feito por outras pessoas” (BIAGGIO, 1996, p.198).
Em conclusão a estudos que tentaram investigar a exposição de crianças, a
modelos agressivos na televisão, observa-se:
...há
bastante evidência fornecida por estudos experimentais que utilizam metodologia
rigorosa de que, a curto prazo, a exposição a modelos agressivos na televisão
conduz a comportamentos agressivos nas crianças espectadoras. (BIAGGIO, 1996,
p.201).
É necessário compreendermos que tipo de
impressão as nossas crianças têm a respeito do mundo, baseado no que comenta
Duarte: “A influência da cultura é tão profunda que se pode dizer que domina a
maior porção da experiência. Mas não afeta da mesma maneira todos os indivíduos
de uma determinada sociedade” (1981, p.58). Esse comentário nos ajuda a sermos
cautelosos quanto aos fatores influenciadores da agressividade, visto que nos
lança para a compreensão da trajetória da história humana, respeitando-se os
diferentes povos em suas diferentes culturas. Dentro desse olhar cultural, como
educadores que somos responsáveis pela formação da futura geração, se de fato
queremos e lutamos pela transformação da realidade social atual, não podemos
fechar os olhos para essa questão. Diz Ferrari: “Fechar os olhos para assuntos
incômodos que afetam a sociedade só dificulta as relações entre professores e
alunos e traz reflexos negativos à aprendizagem”. (VIOLÊNCIA É ASSUNTO). O
trabalho do supervisor tem a função de encontrar respostas para as perguntas
geradas nos conflitos escolares. Eis algumas perguntas pertinentes neste
contexto: Quais os fatores que têm estimulado a agressão entre os alunos? Quem são estes alunos “agressores”, quais
suas histórias de vida? Quem são os alunos “agredidos”? Quais suas histórias de
vida? O que fazer para minimizar ou resolver o problema da agressão entre os
alunos? Cada indivíduo é diferente em sua trajetória educacional, portanto, o
fator educacional é quem vai determinar uem vainal e ortando terminaraçDesenvolvimentoada por reagir com dependa
reação da pessoa diante de uma experiência aversiva. Vejamos o comentário
abaixo:
Para uma pessoa que
aprendeu a reagir com agressão diante de experiências aversivas, este
comportamento se manifestará. Já para outra pessoa que foi positivamente
reforçada por reagir com dependência este será o comportamento mais provável de
se manifestar (BIAGGIO, 1996, p.195).
Consideramos que a redução do índice
de agressão entre alunos da escola em estudo, se dará graças a um trabalho que
busque privilegiar o fortalecimento de respostas que tenham valor funcional e a
aprendizagem por observação de modelos. Acreditamos que a capacidade de
dialogar e de refletir são construtos educacionais indispensáveis para uma vida
social mais harmoniosa. Diz Biaggio:
Uma das melhores
maneiras de reduzir a agressão é através do fortalecimento de outras respostas
que tenham valor funcional. Verifica-se, por exemplo, que pessoas que recorrem
à agressão física para resolver seus conflitos interpessoais geralmente têm
baixa habilidade verbal (daí a maior incidência de agressão física na classe
social baixa). Uma vez aprendendo a resolver verbalmente este tipo de conflito,
o comportamento de agressão física decresce. (1996, p.205).
É preciso iniciar a ação reflexiva,
a práxis transformadora, caso contrário nosso pensar irá para a sepultura junto
com milhares de cidadãos, senhores e senhoras, jovens e crianças, brasileiros,
nossos irmãos, vítimas da violência urbana. Assim se expressa Hengemühle:
Enquanto os teóricos
pensam as transformações, os homens trabalham esta realidade incognoscível em
sua totalidade. Transformam o mundo de qualquer jeito, sem saber exatamente o
que fazem. Motivados pelo poder, pelo dinheiro ou pelo prazer, eles erguem um
estranho mundo. (2004. p.241).
O mundo é resultado
das ações dos homens, principalmente daqueles investidos de poder. A maior
busca do homem pós-moderno é pelo sucesso econômico, pela satisfação pessoal.
Quem não tem observado que estamos sendo obrigados a transformar nossas
residências em verdadeiras prisões, na verdade já estamos enjaulados em sistema
semi-aberto. Um dos setores que mais cresce no Brasil é o setor de venda de
segurança patrimonial e as pessoas que adquirem esses serviços são na sua
grande maioria aquelas que deveriam estar planejando políticas públicas de
combate à violência. Pouco se tem feito para combater a agressividade. Um
aspecto importante no combate à agressividade é o respeito mútuo. A corrupção
que tem manchado nossa nação, os desvios de verba pública e a impunidade têm se
constituído aspectos que favorecem o
comportamento agressivo. Compreendemos que o caminho a ser valorizado no
combate a violência é inverso ao que vem sendo priorizado nas políticas
públicas. Nossas autoridades insistem em combater o problema mais do que a
causa. A causa não é combatida com grandes investimentos em segurança pública,
mas sim em educação pública de qualidade.