Conversa de Qualidade
Oswaldo da Cruz (*)
“Não é comigo. Procure Fulano”
Quantas vezes você já ouviu a frase acima? Muitíssimas, certamente. Tem algumas variantes, por exemplo:
“Desculpe senhor, vou estar encaminhando-o ao setor competente(?) (e dá-lhe musiquinha no ouvido)”
“Entendo senhor, peço que ligue no telefone tal e fale com o atendente (pela centésima vez!)”
“Isso não é da minha alçada”
Mas, o pior de tudo, é quando isso é dito na sua cara, sem a menor compaixão.
Você mal começou a fazer a solicitação e o atendente já o “passou adiante”, como se você fosse uma “Batata Quente”.
Esses atendentes não sabem mas estão passando adiante a chance de melhorarem como profissionais, de serem reconhecidos, elogiados. São funcionários perdedores, não raro de empresas também perdedoras. Estão com os dias contados no emprego e a empresa não vai demorar muito no mercado alimentando esse tipo de atitude.
Para ficar bem claro, quero dizer que não defendo a intromissão em assuntos específicos de determinadas áreas de uma empresa, mas existem situações que requerem um “jogo de equipe”, “jogadas ensaiadas” e “toques de primeira”. Aí, “é comigo”.
Um amigo meu me relatou um raro caso de “É COMIGO”. Que beleza! Que satisfação! Muito simples e, infelizmente, raro. Aí vai:
Ele fez uma compra numa grande loja, com vários departamentos. Comprou um eletrodoméstico e o mesmo apresentou problemas. Voltou à loja cerca de um mês depois e se dirigiu ao primeiro funcionário que encontrou. Era um jovem educado e atencioso.
Houveram vários contratempos no processo de substituição, ora por conta da burocracia, ora por conta da “burrocracia”. O funcionário permaneceu com ele, facilitando o processo e contornando obstáculos com seu conhecimento da casa.
Finalmente, conseguiu a substituição do aparelho, uns 20 minutos após sua chegada (convenhamos: um tempo recorde!).
Ao final, ao se despedir do funcionário, atentou para seu crachá, lá estava seu cargo: “Auxiliar de Contabilidade”. Fez questão de voltar e elogiar seu comportamento para o gerente da loja. Despediu-se do rapaz e foi embora pensando: “afinal, o que um auxiliar de contabilidade tem a ver com a parte de vendas?”
Respondo: tem tudo a ver. Era a mesma empresa, a mesma “família” corporativa. Aquela empresa havia conseguido criar em seus funcionários a idéia de um TIME, uma equipe bem entrosada onde a mentalidade dominante é: “Se tem problema e posso ajudar, É COMIGO!”
Até a próxima.
(*) Oswaldo da Cruz é técnico em eletrônica e administração e Supervisor de Qualidade no Centro de Aprendizagem Métodica e Profissional de S. Vicente (CAMPSV).
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