Comportamento adquirido
É a espécie humana a que demonstra maior capacidade de sobrevivência. Esse fato se comprova pelo extraordinário crescimento da população mundial. Há oito mil anos existiam cinco milhões de habitantes no planeta; atualmente, são seis bilhões e, em 2020, quase dez bilhões.
O grande poder de multiplicação da espécie se explica, grosso modo, por uma característica exclusiva do ser humano: a faculdade de aprender. Enquanto os outros animais dependem unicamente do comportamento instintivo – hereditário –, o homem baseia sua sobrevivência no comportamento adquirido.
Através da razão e da inteligência, a espécie humana acumula conhecimento e experiência. Assim, transmitidos de geração a geração, o saber e a tecnologia proporcionam ao homem o privilégio de influir sobre a própria conduta e o meio, adaptando-se e alterando o ambiente conforme suas necessidades e intenções.
O comportamento adquirido implica, no entanto, carência de aprendizado. Daí a importância da educação para o integral crescimento das potencialidades humanas, o que subentende, segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano".
O ensino se depara, entretanto, com graves embaraços, causados principalmente pela estado de miséria em que vive a população. Consta que mais de 80% dos brasileiros entre zero e dezessete anos (sessenta milhões de menores) nasceram em famílias que auferem renda per capita inferior a dois salários-mínimos.
A essa situação se soma o descaso governamental. Inúmeras escolas se encontram em péssimo estado de conservação; além disso, falta material didático e até carteiras, grande parte dos professores é mal preparada e pessimamente remunerada e em algumas regiões ainda são altos os índices de
analfabetismo.
No
geral, o baixo nível de renda da população e a deficiência no sistema educacional relegou boa parte dos habitantes ao analfabetismo. Há, contudo, um problema de maior amplitude: a subescolarização, que envolve sessenta por cento dos brasileiros de mais de dez anos que freqüentaram a escola por menos de quatro anos.
Observe-se ainda que, segundo pedagogos, quem recebe apenas a instrução primária e interrompe o estudo regride à condição de semi-
analfabeto, que, social e culturalmente, não difere muito do analfabeto. O índice de analfabetismo pode atingir, portanto, sob esse ângulo, a estratosférica casa dos oitenta por cento.
É essa situação, engendrada por sucessivos governos, que torna o brasileiro, de modo geral, desqualificado profissionalmente e despreparado para a vida, incapaz de compreender o mundo em que vive e suas relações e inabilitado para o discernimento indispensável à vivência política. Os efeitos estão aí: favelas e marginalidade.
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