A actividade económica visa satisfazer, directa ou indirectamente, as necessidades dos consumidores. Estes constituem, portanto, os destinatários finais de toda a produção, troca e distribuição. A economia depende deles.
1 – Introdução à teoria do comportamento do consumidor
O que determina que um bem valha mais do que outro? Esta questão preocupou os pensadores desde tempos remotos. Os economistas clássicos, como os próprios autores marxistas mais tarde, nutriam a convicção de que o valor de qualquer mercadoria era maior ou menor segundo a quantidade de trabalho utilizado na sua produção. Se numa sociedade primitiva, caçar um castor exige o dobro do tempo (e do trabalho, portanto) que leva a captura dum veado, não convirá trocar um castor por menos do que dois veados. Deste modo, o valor do castor seria duplo do do veado. E o mesmo a respeito de quaisquer outros bens.
2- Identificação do consumidor segundo a teoria económica tradicional
Para a teoria económica, o consumidor é o sujeito económico que, dispondo de bens, os utiliza na satisfação directa das suas necessidades presentes ou futuras. O consumidor busca auferir rendimentos e dando a esses rendimentos dois destinos:
1 – Consumindo-os no todo ou em parte, isto é, aplicando-os à compra, hoje, de bens de consumo;
2 – Poupando-os total ou parcialmente, ou seja, renunciando ao consumo actual, assim possibilitando maiores consumos no futuro.
Em qualquer caso, o consumidor aparece-nos como um adquirente de bens presentes ou futuros que, uns e outros, se destinam à satisfação directa das suas necessidades.
A célula consumidora fundamental é, para a economia, a “família”, pelo que “consumidor” e “família” são considerados, na generalidade dos contextos, conceitos equivalentes.
O somatório dos rendimentos auferidos por todos os membros de uma família constitui o rendimento da família.
3 – Como reagem os consumidores às variações quer dos preços dos bens, quer dos rendimentos que auferem.
As relações “preço-quantidade”, e “rendimento-quantidade” , que os economistas do fim do século dezanove inventaram esclarecer, constituem uma das pedras angulares da teoria económica
4 – As duas análises
O consumidor, de posse dum certo rendimento monetário (RM) afecta-o à aquisição de bens com o intuito de obter satisfações ( utilidade). Uma manifestação fundamental do comportamento humano consiste precisamente no esforço de repartir economicamente RM pelos bens desejados e adquiríveis, atentas as preferências dos consumidores, e o facto de a aquisição de cada unidade de um bem absorver uma parcela de RM igual ao preço respectivo.
Por consequência, ao estudarmos o modo como os consumidores administram os seus recursos (ou seja, o seu RM escasso) é necessário ter em conta:
1 – uma realidade subjectiva: os seus gostos e preferências;
2 – uma realidade objectiva: o montante dos seus recursos e o conjunto dos preços dos preços dos bens, preços que o mercado dita.
A análise sistemática da forma como se conjugam estas duas realidades com vista à maximização da satisfação dos consumidores é o objecto fundamental da Teoria do Comportamento do Consumidor ou do equilíbrio do consumidor.
A abordagem do estudo do equilíbrio do consumidor tem enveredado por diversos percursos analíticos de que referiremos sucintamente os dois mais importantes pela sua repercussão em toda a análise económica:
1 – Análise da utilidade cardinal (também designada análise da “utilidade marginal”)
Esta via analítica assenta numa hipótese da mensuração ou quantificação da utilidade. Tendo-se desenvolvido a partir de 1870, reflecte esta corrente a convicção, nesse tempo partilhada pela maioria dos psicólogos, de que é possível medir as reacções humanas perante certos estímulos quantificáveis.
2 – Análise ordinalista, através das “curvasde indiferença”
Os autores que lançaram os alicerces desta análise não aceitam a mensurabilidade da utilidade, ou, mais singelamente, afirmam que a mensuração é desnecessária à elaboração duma teoria do equilíbrio do consumidor.
O consumidor é tido por “racional”, significando-se com isto que se supõe que ele é capaz de determinar o que pretende, dentro dos seus limites, e que se esforçará por satisfazer as suas necessidades tão completamente quanto possa.
O conceito de equilíbrio do consumidor Afirmar que um consumidor se encontra em equilíbrio ante diversos bens equivale a dizer que ele alcançou uma situação preferida de entre as situações que lhe são acessíveis.
Quando o que está em causa é a opção entre comprar mais ou menos dum determinado bem, diz-se que o consumidor (que dispõe de dado RM e enfrenta determinados preços) alcança uma posição de equilíbrio ao comprar Q unidades, se, na sua opinião, a aquisição de menos ou mais do que Q o conduz a uma situação menos desejada. Daqui se infere, que a posição de equilíbrio é a que, de entre as posições acessíveis, exerce maior atracção sobre o consumidor.
Mais resumos sobre ANÁLISE DO CONSUMO