Aos 67 anos, o engenheiro mexicano Carlos Slim é considerado o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$67,8 milhoes, ou seja, US$8,6 bilhões a mais do que Bill Gates, que durante 13 anos liderou o ranking. Slim não usa nem nunca usou computador. Não lê documentos na tela nem recebe ou envia e-mails. Costuma dizer que toda informação que precisa para tomar decisão tem que caber numa folha de papel. Slim faz questão de desdenhar a sua nova posição de homem mais rico do mundo, diz que é irrelevante e que não é uma competição. Existem atalhos para entender a personalidade do homem que detém 7,5% do PIB do México. Em primeiro lugar está o
pai, comerciante libanês que chegou ao Novo mundo próximo às convulsões políticas da revolução mexicana. Como o pai, Slim é um homem de família, que vive cercado por filhos e genros, na vida e nos negócios. Como o pai, também é um negociante obstinado, herdeiro da tradição libanesa que vem dos fenícios, os primeiros vendedores internacionais do planeta. Antiquado, o criador dos celulares pré-pagos no México gosta de coisas antigas, como Sofia Loren e boleros. Seus filmes favoritos são Tempos Modernos, de Charles Chaplin, e El Cid, um épico de capa e espada com Charlton Heston no papel principal. Sua simplicidade pessoal é legendária: veste as gravatas da própria loja, a Sanborns, e se diverte sozinho refazendo à mão estatísticas sobre beisebol. Não usa computadores, embora conte, entre seus melhores amigos, com o cientista americano Nicholas Negroponte – o pai do computador de US$100, e Alvin Tofller, o futurólogo, e uma espécie de mentor do empresário e de seus filhos, a quem costuma dar palestras domésticas informais. Desde a infância, Slim teve seu pendor para negócios estimulado pelo pai, Julián Slim Haddad. Desde pequeno, observava o pai comprar mercadorias em outros países e revendê-las em sua loja na Cidade do México. Aos 12 anos abriu uma conta bancária com cerca de US400. Com 16 anos, comprou suas primeiras ações do Banco Nacional do México, hoje controlada pelo Citigroup. Por exigência do pai, Slim passou a anotar em cadernos o valor de suas movimentações financeiras. No final dos anos 60, enquanto os jovens das famílias endinheiradas do México aproveitavam a vida em Paris, Slim começava o Grupo Carso, conglomerado com ações no varejo, shopping centers, rodovias, cigarros, construção entre outros que faturou US$8,5 bilhões no ano passado e vale US$9 bilhões na bolsa. É dono da maior empresa de telefonia celular da América Latina. Detém 91% do mercado de telefonia fixa, dono do Grupo Financeiro Inbursa de serviços bancários, seguros e aposentadorias, e do Ideal que é a menina dos olhos de Slim que faz obras na América Latina. O engenheiro acredita em ciclos e perseverança. Suas regras de ouro são: 1. Prefira estruturas simples, organizações com níveis hierárquicos mínimos, flexibilidade na tomada de decisões. As vantagens da pequenas empresas é que fazem grandes as maiores empresas. 2. Manter austeridade em tempos de vacas gordas fortalece, capitaliza e acelera o desenvolvimento da empresa. Assim, evitam-se ajustes drásticos nas épocas de crise. 3. Permaneça sempre ativo na modernização, simplificação e melhoria incansável dos processos produtivos. Procure aumentar a produtividade e a competitividade, reduzir gastos e custos guiando-se pelas mais altas referências mundiais. 4. A empresa nunca deve limitar-se aos parâmetros do proprietário ou do administrador. Nos sentimos grandes em nossos curraizinhos. 5. Não há objetivo que não possamos alcançar trabalhando unidos, com clareza de objetivos e reconhecendo as ferramentas disponíveis. 6. O dinheiro que sai da empresa evapora. Por isso, reinvestimos os ganhos. 7. A criatividade é aplicável não só aos negócios, mas também à solução de muitos dos problemas de nossos países. 8. O otimismo firme e paciente sempre rende frutos. 9. Todos os tempos são bons para os que sabem trabalhar e têm como fazê-lo. 10. Nossa premissa é que daqui nada se leva. O empresário é um criador que a administra temporariamente
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