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Shvoong Home>Ciências Sociais>Estudos De Comunicações/Mídia>No primeiro aniversário da televisão privada em Portugal (Parte 2)

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No primeiro aniversário da televisão privada em Portugal (Parte 2)

por : Prolific_Writer    

Autor : José Rebelo
(Continua de Parte I mencionada em baixo em  'Links importantes')
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2.2- Do canal 1 à TVI: breve análise das grelhas de programas em prime time
Numa semana de Maio, entre o fim do jornal e as 22:30h, classificam-se os programas na seguinte ordem:
1-  Informação, debates e entrevistas
2-  Documentários
3-  Filmes, séries e novelas
4-  Concursos, variedades e humor
5-  Cultura
6-  Outros
Da comparação desta grelha ressalta:
1-  O relevo esmagador da novela, que só não aparece na TVI
2-  O relevo quase análogo aos concursos, quer pela SIC como pelo canal1
3-  O investimento no binómio novela/concursos, novela/variedades, novela/humor, principalmente na SIC
4-  O investimento no binómio novela/documentário, novela/cultura, novela/cultura, na TV2
5-  O interesse pelo desporto, na TV2
6-  A importância do género cinema na SIC
7-  O impacte das emissões para jovens, especialmente nas noites de segunda-feira a sexta-feira na TVI
Os quatro canais portugueses revelam tendências para uma neotelevisão emergente de um novo «pacto de comunicação» onde prevalecem a convivialidade, a interactividade e os processos relacionais individuais. Impera o que se julga ser o gosto do público e as suas expectativas.
O pequeno ecrã substitui a família e o bairro diluindo a separação entre o locutor e o telespectador através de processos fácticos:
 -o olhar do locutor-apresentador para o público presente/ausente
 -a presença do público na emissão como partennaire passivo
 -a presença do público na emissão como partennaire activo
 -a presença do público na emissão como amostragem da audiência global
 -a presença mediatizada do público
A televisão esbate a distância entre a realidade e a ficção, esfera pública e privada, tornando-se num verdadeiro actor social, intervindo directamente nos conflitos, nos problemas pessoais, explicando causas e procurando soluções.
Na ânsia do sensacional, a televisão forja uma dimensão para o acontecimento. Só existe o que passa na televisão, e o que existe só existe como passa na televisão.
Ao culto do directo alia-se a prática do vedetismo. É em torno do apresentador/vedeta que se desenrola a acção.
3- MÚLTIPLA PROCURA PARA PUBLICIDADE ESCASSA?
3.1- Do optimismo desmesurado ao pessimismo inconsequente
 
SIC e TVI esperam, num prazo de cinco anos, uma distribuição de quotas de mercado de, respectivamente, 30% e 20%, e para os dois canais públicos 49,5%. O investimento em publicidade para os quatro canais registou um aumento de 45%.
Caso se confirme esta tendência, ela exprimirá uma reacção altamente positiva dos publicitários ao novo panorama audiovisual em Portugal.
3.2- Cenários possíveis
Cinco cenários são teoricamente possíveis:
1-  A crise internacional é resolvida. O processo da economia portuguesa provoca um alargamento do mercado da publicidade, que cobre as necessidades do público e do privado.
2-  O sucesso dos canais privados é acompanhado por um endividamento dos canais públicos.
3-  Canais públicos e privados arrastam-se numa situação de debilidade financeira.
4-  Os canais privados, ou alguns deles, não resiste(m) às imposições do mercado.
5-  Por razões de natureza política ou económica, o governo decide privatizar um dos canais públicos.
2º e 3º cenários apresentam maior grau de verosimilhança.
Em Espanha, França, Itália, Alemanha e Grã-Bretanha os canais públicos apresentam cada vez mais prejuízos. Também no sector privado a situação financeira de alguns canais é preocupante.
Em 1991 os investimentos publicitários no mundo registaram pela primeira vez desde o início do 60’s uma descida de 1,5%.
Em Portugal, os dois canais privados nascem no auge da perturbação internacional, e colocam-se alguns condicionantes da evolução do processo de televisão pública versus televisão privada: indefinição da repartição do capital da TVI; a reduzida dimensão do capital da SIC; a propensão do governo para reforçar a posição dos canais que controla.
4- Conclusões: Limites e Equívocos da Concorrência
1)  A televisão desperta o apetite dos grupos de interesses políticos ou financeiros alojados no aparelho de Estado ou ciosos de reforçarem a sua capacidade de intervenção no espaço público. A concorrência televisão pública/privada, além de aumentar a pluralidade da informação, encorajando a inovação e a ousadia, também acelerou o concentracionismo e a internacionalização de que a imprensa escrita já vinha sendo objecto.
2)  A televisão hertziana não pode estar sujeita ao livre arbítrio dos operadores já que cria hábitos e gera expectativas. No entanto, a prática dos organismos reguladores ou primam pela ineficácia ou dissimulam estratégias censurantes do poder político.
3)  No mercado português, exclusões e transformações profundas poderão abalar, a médio-longo prazo, o sistema dos media, em geral, e o audiovisual em particular, onerando o erário público ou alterando o instável equilíbrio entre sector público e sector privado.
4)  A relação entre serviço público e televisão pública não está, na maioria dos países europeus, claramente definida. A função de serviço público deverá basear a sua programação na complementaridade e na diferença, de forma a reflectir a diversidade e complexidade do meio social.
5)  Havendo coincidência entre «serviço público» e canal público, terá de estabelecer-se sem ambiguidades o regime de financiamento deste.
6)  No caso português, no plano dos conteúdos, pouco ou nada separa uma televisão pública como a RTP1 de um canal como a SIC. Em termos de financiamento, a RTP, além de concorrer no mercado publicitário, aufere também verbas do orçamento de Estado a pretexto de um «serviço público».
Publicado em: abril 30, 2009
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