Forma sociocultural emergente da relação simbiótica entre a
sociedade, a cultura e as novas
tecnologias microeletrônicas. Essa relação se estabelece pela emergência de novas formas sociais e das tecnologias
digitais. A
cibercultura é a cultura contemporânea marcada pela
Tecnologia.
Texto não aborda uma visão otimista ou pessimista da cibercultura, nem mostra um entendimento realista do fenômeno. Entretanto, visa identificar potencialidades e negatividades das tecnologias contemporâneas.
Cibercultura nasce do desdobramento da relação da tecnologia com modernidade que se caracterizou pela dominação racional da natureza e do outro. A cibercultura seria uma atualização dessa dominação, centrada agora na transformação do mundo em dados binários para futura manipulação.
A convergência entre informática e telecomunicação originará a sociedade da informação. De modo que o surgimento das novas possibilidades planetárias da comunicação digital está na origem da cibercultura. Se a modernidade se caracterizou pela apropriação técnica do social, a cibercultura se caracteriza pela apropriação social-midiática da técnica.
Toda mídia altera a relação espaço-temporal podendo ser definida como formatos e artefatos que permitem escapar de constrangimentos espaço-temporais. Na sociedade da informação, percebe-se uma sensação de ubiqüidade e instantaneidade, oriundas da conectividade generalizada.
Observando-se as novas implicações que este fenômeno carrega, percebe-se que o tempo real pode inibir a reflexão, o discurso bem construído e a argumentação. Entretanto, a agilidade do clique permite a ação imediata, o conhecimento simultâneo-complexo, a participação ativa.
A Passagem PC - CC (computador conectado) carrega dentro de si conseqüências para as novas formas de relação social. Como a nova estrutura técnica contemporânea nos leva em direção a uma interface zero, onde a ubiqüidade se generaliza gerando nomadismos radicais, tem-se uma nova configuração comunicacional, onde o fator principal é a inédita liberação do pólo da emissão depois de séculos de domínio do controle exercido pelos mass mídia.
Alguns autores afirmam que o fenômeno da cibercultura ainda é minoritário, mas deve-se reconhecer que não há mídia totalmente democrática, universal. Pode-se também afirmar que a perseguição da humanidade está associada ao crescimento da artificialização do mundo e a colocação de cada vez mais escolha informativa à disposição. Assim, o acesso (às TIC) de todos é condição fundamental para que haja uma verdadeira apropriação social das novas tecnologias.
As possibilidades trazidas pela internet possibilitaram novas aplicações da comunicação no cotidiano devido às inovações da tecnologia e sua apropriação pela sociedade. Quando se fala em internet, deve-se vê-la como um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação. Mesmo com a chegada das possibilildades multi-midiaticas, não se deve enxergar um aniquilamento das antigas mídias, nem uma transposição destas para um novo modelo. Deve-se ver um novo fenômeno, caracterizado pela liberação do pólo de emissão, pela comunicação bidirecional sem controle de conteúdo.
Novas ferramentas de comunicação geram novas formas de relacionamento. Entretanto, deve-se matizar as diferenças entre essas formas e às “do mundo real”, já que elas guardam similitudes entre si. Não se deve falar de afastamento social, ou esfriamento das relações entre as pessoas, já que o maior uso da internet é para busca efetiva de conexão social. Trata-se de uma “religiosidade” (no sentido de religar) social. A prática comunicacional na cibercultura mostra pregnância social para além da assepsia ou simples robotização.
O nosso corpo é pura informação e sempre foi um constructo cultural e está imbricado no desenvolvimento da cultura. Para Stelarc, na cibercultura o corpo torna-se obsoleto e entramos na fase de colonização do corpo com próteses e nano máqu