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Relações Públicas na Era Digital: a continuidade do conservadorismo.

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Autor : Paulo Muzio
Resumo escrito por : Andreetto
Visitas : 83  palavras: 600   Publicado em: janeiro 26, 2008
O sociólogo francês Pierre Bourdieu vê a Opinião Pública como um instrumento de manutenção do Status Quo<1> assim como a profissional de Relações Públicas Cicília Peruzzo enxerga sua profissão como uma atividade de manutenção do conservadorismo do poder<2>. É possível constatar, que ao longo da história, quase tudo pode ser (e foi) usado como instrumento de dominação, podendo ser encontrado em diversos níveis e intensidade. A atividade de Relações Públicas sob a ótica Marxista, surgiu tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil como uma ferramenta para maquiar toda a corrupção, das empresas privadas e dos órgãos governamentais, respectivamente<3>.

Diante desta ótica, levo o foco à seguinte provocação: Será que, frente ao advento da comunicação digital, as Relações Públicas deixaram de ser um instrumento de dominação? E chamo ainda para outra provocação: Será que as novas mídias digitais também são ferramentas que podem e são usadas para fins políticos? E mais uma terceira provocação: Qual será a magnitude do poder de influência da atividade de Relações Públicas com o suporte das mídias digitais?

As novas mídias trazem a ilusão da democratização, assim como a atividade de Relações Públicas segundo Cicília Peruzzo. Ilusão de que todos tenham acesso à Internet, concretizando a tão sonhada interatividade. Mas será que essa interatividade é pra todos? É democrática? Ou é apenas para quem já está acomodado, para uma elite dominante satisfeita com o poder vigente? Classe média para cima, digo eu. “O diálogo é democrático; O monólogo é autoritário”<4>. E como a massa fica diante disso tudo? A massa tem sua vez? Os tele-centros?

Os novos instrumentos digitais de comunicação são ferramentas complexas que podem tanto dar a fala para as massas quanto insultá-las e enganá-las, tudo isso dependendo do modo como são utilizados e para que fins.

Neste ponto é que as Relações Públicas tornam-se necessárias, desta vez não como um instrumento de manutenção do Status Quo, mas como um divisor de águas, tal como foi proposto por Cicília Peruzzo, que vise aproximar as não-elites da informação. É preciso criar um diálogo com essas massas. “A verdadeira vida comunitária é aquela que permite a cada indivíduo relacionar-se com o próximo em termos da relação EU – TU, e não em termos da relação EU – ISTO”<6>. As Relações Públicas devem ser um catalisador da democratização e da inclusão digital que se tornou indispensável no mundo de hoje.

Esta é uma proposta para a atividade de Relações Públicas junto ao mais novo membro da família da comunicação, a digital.

Infelizmente, a dominação por meio das instrumentos disponíveis sempre existiu e talvez sempre vá existir. “Como vimos, pela própria natureza do estado grego, era imperativo para certas camadas sociais dominar as regras e normas da boa argumentação. O exercício do poder.”<7>  

<1> BOURDIEU, Pierre. A Opinião Pública não existe. In: THIOLLENT, Michel. Crítica metodológica, investigação social e enquête operária. São Paulo: Polis, 1982, p. 137-151.  

<2> Peruzzo, Cicília Maria Krohling. Relações Públicas no Modo de Produção Capitalista. São Paulo, Summus, 1986.  

<3> Idem.

<4> MEDINA, Cremilda. Entrevista, o diálogo possível. São Paulo. 4ª ed. Ática, 2001. p-7.

<5> O Poema não foi publicado, de forma que foi fornecido pelo próprio autor.

<6> BUBER, Martin. Do diálogo e do dialógico. São Paulo, Perspectiva, 1982.

<7> CITELLI, Adílson. Linguagem e Persuasão. São Paulo, Ática, 2001. p 8-9.

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