Ignácio Ramonet inicia seu livro falando a respeito da tecnologia digital que provocou mudanças enormes no campo da comunicação e mostra como a informação é uma mercadoria, aliás, ele repete muito isso em todo livro, para confirmar que tudo que acontece, como o sensacionalismo, as falsas notícias, é fruto da necessidade de venda da notícia e da concorrência.
O jornalismo de revelação surge em revanche ao triunfo da teleinformação, que tem seu poder na imagem. O jornalismo de revelação preocupa-se em revelar a vida privada de personalidades e escândalos de corrupção e “affairismo”.
Existem dois parâmetros que influenciam a informação: o mimetismo midiático, que é uma febre que se apodera da mídia, que vai urgentemente cobrir um fato; e a hiperemoção, que estava restrita à
imprensa sensacionalista, já que a imprensa de referencia costumava apostar na frieza, no rigor. A imprensa de referencia começou a utilizar a hiperemoção em concorrência ao telejornal, em que a imagem é o espetáculo.
Na segunda parte do livro – a era da suspeita – Ramonet cita os sentimentos dos cidadãos em relação à mídia: ceticismo, desconfiança. A primeira era da suspeita foi nas décadas de 60 e 70, quando se acreditava que ao controlar a televisão, controlaria-se os eleitores.
A segunda era da suspeita funda-se na convicção de que a mídia não é confiável e que muitas vezes apresenta mentiras como verdades.
Segundo o autor, a televisão é a primeira mídia em lazer e informação e essa hegemonia se confirmou a partir da Guerra do Golfo. Hoje é a TV que dita as normas e os outros meios se obrigam a segui-la. A TV é a primeira mídia por sua rapidez e pelo choque da imagem que nenhum outro meio possui.
Na mídia que agora é planetária, qualquer evento suscita uma corrida por conexões apoiadas por dezenas de enviados espaciais. E isso também ocasiona o que é chamado de “efeito paravento”, em que um evento é utilizado para encobrir outro. Ramonet mostra no terceiro capítulo que os meios de comunicação não dependem do poder político, hoje, o inverso é mais comum.
A mídia, que por muito tempo foi considerada o “quarto poder”, hoje é tida como o segundo poder, pela sua ação e influência, só atrás do poder econômico e mais poderosa que o poder político. Por exemplo, quando todos os meios de comunicação afirmam um acontecimento como verdadeiro, mesmo que seja falso, como duvidar desta verdade?
No capítulo “ser jornalista hoje”, o autor diz que os jornalistas estão “em vias de extinção”, que têm papel secundário na notícia e estão rebaixados ao nível de retocadores das transmissões. Além disso, o jornalismo perdeu seu monopólio, qualquer instituição tem seu jornal ou boletim e na Internet, qualquer um pode ser jornalista.
E, como o jornalista perdeu seu papel de investigação e a informação é uma mercadoria, ela está sujeita às leis do mercado e não pode comprometer-se com respeito aos cidadãos e à ética.
Além das notícias falsas (ou parcialmente falsas), as imagens também podem ser modificadas, graças à tecnologia digital, em que tudo é possível.
No capítulo “rumo ao fim do telejornal?”, Ramonet dá as causas do processo de extinção dos jornais da noite: concorrentes como redes de informação ininterrupta e a Internet, que têm diminuído a sensivelmente a audiência. Ainda, os telejornais estão cheios de reportagens sensacionalistas com o intuito de concorrer com outros programas. No capítulo intitulado “televisão necrófila”, Ignácio Ramonet dá como exemplo o caso da ossada de Timisoara, que foi forjado para marcar a revolução na Romênia. Faltavam imagens trágicas para legitimar o fim do comunismo naquele país.
O penúltimo capítulo é reservado para citar os impérios da comunicação que se formam pela fusão de firmas gigantes.
Para o espectador existe a ilusão de que ver é compreender, e todo acontecimento deve ter imagens. E essa concepção suscita o interesse por cenas violentas e sensacionais. O texto é uma enorme crítica aos meios de comunicação que não têm ética, aos que manipulam o que é noticiado, aos que vulgarizam seus programas a fim de conquistar o maior número de espectadores.
Mais resumos sobre A Tirania da Comunicação