Este clássico do pensamento social brasileiro nos oferece uma interpretação do nosso passado colonial baseado na idéia de cultura para definir a identidade da sociedade brasileira, valorizando as contribuições indígenas, africanas e européias em sua formação. Pretende revelar aos brasileiros o que eles são, e de acordo com Darcy Ribeiro, é a obra mais importante da cultura brasileira.
Escrevendo as características gerais da colonização portuguesa do Brasil, formando uma sociedade agrária, escravocrata e hibrida, nos mostra como, através dos séculos, esse Brasil, se esforçando para produzir açúcar, ouro, café e outros lucros, acabou produzindo também – como produto indesejado – um povo inteiro, resultado da miscigenação de índios, europeus e negros.
Retratando a vida colonial da varanda da Casa-Grande, Gilberto Freire aponta os elementos indígenas na constituição da família, alimentação e zelo com a higiene pessoal; a cultura negra transmitida aos sinhozinhos pelas amas-de-leite, suas praticas religiosas, suas receitas de doces e sua força de trabalho; a variedade de raças e etnias que compõem a sociedade portuguesa e sua superioridade sobre todas as outras nações européias em fazer e manter uma colônia nos trópicos.
Com uma escrita gostosa de ler e uma sabedoria amparada em ampla documentação, mesmo que seu olhar fixe mais as culturas negra e branca sendo pouco profundo na indígena – apesar da importância concedida a estes no texto – Casa-Grande & Senzala é um prazeroso e interessante retrato do Brasil colonial que em muito auxiliou e ainda continua ajudando muito a construir a origem deste povo maravilhoso que é o brasileiro.