O SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO ÉTNICO-RACIAL E AS PRÁTICAS CULTURAIS E RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANAS.
INTRODUÇÃO
Em plena expansão apartir do séc XV a indústria escravista tinha como objetivo principal, a manutenção do seu ritmo de desenvolvimento. Entendo que todo e qualquer setor adota como base para seu crescimento a manutenção dos padrões de qualidade dos seus produtos. Mas como isso se dava em relação ao comércio escravo? A atribuição de determinadas classificações (marcas) e ao mesmo tempo a atribuição de qualidades (fetiche).
Apartir daí podemos entender que houve uma necessidade por parte dos traficantes em criar classificações que facilitassem a identificação do produto e principalmente valorizassem o mesmo, evitando perdas (como estagnação das vendas).
Apartir dessa análise veremos qual o impacto que isso teve no âmbito das relações sociais e quais foram os mecanismos utilizados pelos africanos a fim de manter certa unidade cultural sem abdicar(em alguns casos) de sua identidade original.
NECESSIDADES RELATIVAS AO TRÁFICO.
O sistema de classificação étnico-racial dos africanos escravizados no Brasil se baseava não na identidade vigente em continente africano, mas sim em sua procedência do ponto de vista do tráfico. A pluralidade identitária africana foi sendo sufocada por classificações discriminatórias, impostas sem critérios específicos. Obviamente não era de interesse do traficante saber sobre a procedência de determinado escravo uma vez que o ponto focal era a realização do negócio. Claro que a escolha não era “cega”, ou seja , eles não eram totalmente desprovidos de critérios no momento do negócio. O que quero dizer é que eles não se davam ao trabalho de preocupar-se com o fato daquele escravo ser chamado de nagô pelos Dahomeanos - não queriam saber se realmente pertenciam ao reino de Oyo ou se simplesmente dividiam traços culturais comuns, o que acarretava uma generalização por parte do Dahomey.
Então qual era a postura dos traficantes? Como já citado, a realização do ‘trade’ era o mais importante nesse caso, as características e a qualidade da mercadoria eram os pontos de atenção deles. Falando de uma forma simplória, toda mercadoria precisa de rótulos, algo que as identifique, e essa identificação imposta pelos traficantes e chamada pelo musicólogo Gerhard Kubik (1979) de “trademarks” (marcas registradas) provocou um agrupamento de nações africanas política, lingüísticas e culturalmente distintas – cujo objetivo era atender às necessidades de controle e de classificação administrativa.
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