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Shvoong Home>Ciências Sociais>Antropologia>O modo de navegação social: a malandragem e o "jeitinho"

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O modo de navegação social: a malandragem e o "jeitinho"

por : KatherineAlmeida    

Autor : Roberto da Matta
O resultado de um combate entre leis que devem valer parar todos e as que só podem funcionar para as quem tem é o sistema
social dividido e equilibrado entre duas unidades sociais básicas: o indivíduo (o sujeito das leis universais que modernizam a sociedade) e a pessoa (sujeito das relações sociais, que conduz o pólo tradicional do sistema). Entre ambos existem a malandragem, o “jeitinho” e o “sabe com quem está falando”? 
     Em países como os EUA, França e a Inglaterra as regras ou são obedecidas, ou não existem. As leis não são feitas para explorar ou submeter o cidadão, nem são instrumento para corrigir ou reinventar a sociedade, é portanto um instrumento que faz a sociedade funcionar bem.  
    A aplicação da lei não pode pactuar com o privilégio, aquela norma que se aplica diferencialmente se o crime ou a falta foi cometida por pessoas diferencialmente situadas na escala social. Como é o caso das celas especiais. 
    A lei e o poder fazem com que algumas pessoas ajam de acordo com seus próprios interesses, dificultando muitas vezes ou negando de ajudar quem precisa. Ao encontrar um elo em comum com tais pessoas, denomina-se "jeitinho", podendo ser banal ou especial.
    O jeito é um modo pacífico e legítimo de resolver alguns problemas, provocando essa junção inteiramente casuística da lei com a pessoa que a está utilizando. A relação pessoal, da religiosidade, do gosto, de religião e de outros fatores externos àquela situação poderá provocar uma resolução satisfatória ou menos injusta para ambas as partes de forma harmoniosa, sendo portanto o “jeitinho”. O “sabe com quem está falando” também é uma forma de resolver só que é conflituoso e um tanto direto de realizar a mesma coisa, havendo uma hierarquização, visto que há sempre outra autoridade, ainda mais alta. 
    O  despachante é o especialista em entrar em contato com as repartições oficiais para a obtenção de documentos que normalmente implicam em confusões. Se não tiver um amigo ou uma relação que possa imediatamente facultar o “jeitinho”, contrata-se o despachante. Como figura sociológica, é um mediador entre a lei e uma pessoa. O malandro é o profissional do “jeitinho” e da arte de sobreviver nas situações mais difíceis, sempre escolhe ficar no meio do caminho, juntando, de modo quase sempre humano, a lei, impessoal e impossível, com a relação pessoal. A malandragem é um tipo de ação concreta situada enter a lei e a desonestidade e uma possibilidade de proceder socialmente, tipicamente brasileiro de cumprir ordens impossíveis de serem cumpridas com situações específicas e também, um modo de burlar as leis e as normas sociais gerais. É portanto, um modo de ser. 
    A malandragem e o “jeitinho” promovem uma esperança de tudo juntar numa totalidade harmoniosa e concreta, esta é a razão de existir como valor social.
Publicado em: junho 05, 2008
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