4.3 O geneticamente correto Segundo o antropólogo David Le Breton, “a sociedade americana tem uma admiração formidável pelos genes e pelas interpretações biológicas dos comportamentos <...> O gene tornou-se desse modo um “ícone cultural” <...> Fala-se normalmente de gene da resistência, da preguiça, da poupança, da celebridade, do sucesso, da matemática, do hedonismo, da felicidade, da propensão a toxiconomia etc.” . Para Le Breton, seguindo esse raciocínio, “a transparência do gene seria a transparência do sujeito, uma revelação sem recurso de seu destino em termos de doenças ou de comportamentos. Os videntes ficam sem emprego a partir desses fatos – os biólogos dirão o futuro do indivíduo...”. Le Breton traz ainda uma sentença reveladora para a questão. Diz ele: “Se o mundo não passa de produto dos genes, então mudar o mundo implica apenas mudar os genes ou se abster de qualquer intervenções que corrigiria socialmente as desigualdades” .
Mais resumos sobre O geneticamente correto. In: ADEUS AO CORPO: antropologia e sociedade