MONUMENTOS PRÉ- HISTÓRICOS
Ainda revisitando os sambaquis, observamos que sua dupla natureza, aonde vivos e mortos “convivem” lado a lado, extrapola a visão reducionista de que eram uma lata de lixo da pré-história anexada a uma necrópole. Transportar moluscos inteiros ao invés de apenas a parte comestível permanece sem justificativas. O volume a ser transportado era muito maior. A intenção de fazer um aterro para garantir uma plataforma seca para a moradia também não basta para justificar que este hábito tenha se mantido após atingir uma altura confortável . A maior oferta de fauna marinha por sua vez não explica o hábito cultural de acumular restos faunísticos. Futuras pesquisas trarão novas hipóteses. É mais razoável atualmente a visão de Monumentos funerários e Marcos paisagísticos. Os sambaquis em si são como nossas igrejas, mansões, palácios e estádios que marcavam o domínio deles da paisagem. Quem se aproximasse do local avistaria de longe o sambaqui sabendo que tal sítio tinha dono. Os elaborados rituais funerários reforçam ainda a dimensão sagrada do local. A constante visitação de covas , , a manipulação de corpos e presença de objetos pessoais , demonstram o zelo com a vida além-túmulo. Circundando as covas foram encontrados buracos de estacas de um jirau circular. Vestígios de um ‘festim’ fúnebre < ossos de peixes>, cobriam a cova. Esse ritual de passagem para a “aldeia dos mortos” sugerem uma mitologia subjacente. Sambaqui terra e céu. Ou seria Céu e terra?? O livro de Lima Barreto – Triste fim de Policarpo Quaresma, descreve a formação do sambaqui. Tupi.