Junto os prosseguimentos da sociedade. É de estranhar, mais ao contrário do que muitos imaginam, mesmo na “década perdida” houve algum progresso. A expectativa de vida ao nascer dos homens elevou-se de 55 anos em 1965 para 64 em 1990, enquanto A extensão acelerada da economia brasileira no pós-
guerra ocasionou melhoras no coeficiente de
renda e de uma vida melhor. A mulher subiu de 59 para 68 anos. No mesmo período, a taxa de mortalidade infantil (para crianças com menos de 5 anos nascidas vivas) reduziu-se de 159 para 67 por mil. De 1981 para cá, a proporção de domicílios urbanos sem condições adequadas de saneamento caiu de 43% para 33% do total. Nem tudo vazou pelo ralo da corrupção.
um dado crucial da experiência brasileira, contudo, é o fato de que, devido a fatores de ordem demográfica, econômica e política, verificou-se a ocorrência de um descompasso visível entre, de um lado, a rápida elevação da renda per capita no pós-guerra e, de outro, o fraco desempenho dos indicadores de bem-estar social.
Os
dados internacionais mostram isso com clareza. Paises de renda per capita bem inferior a nossa, como por exemplo, Costa Rica, Sri Lanka e China, apresentam um resultado claramente superior no tocante os indicadores de bem-estar social como expectativa de vida ao nascer e mortalidade infantil. A dessemelhança distributiva, sem dúvida, tem muito a ver com esse fato. O que menos é conhecido, contudo, é a verdadeira razão pela qual a má distribuição de renda acaba contribuindo para, juntamente com outros fatores, perpetuar este quadro. Um ponto que não pode ser omitido é a questão demográfica. Um dos efeitos do rápido
crescimento populacional é que ele tende a favorecer a concentração de renda, na medida em que produz um aumento na oferta de mão-de-obra não qualificada e diminui o poder de barganha dos assalariados. O ingresso de cônjuges e filhos no mercado de trabalho, como parte da estratégia de manutenção da renda familiar em períodos de recessão, serviu apenas para agravar a superabundância da oferta de mão-de-obra e deprimir ainda mais o salário do trabalhador não-qualificado. No entanto a conseqüência econômica mais grave da combinação de forte concentração de renda e rápido crescimento populacional no pós-guerra foi seu impacto negativo sobre a formação de capital humano no Brasil.
Os
recursos humanos - a disposição de iniciativa, a capacidade profissional, a criatividade, a disciplina e o hábito de agir no presente tendo em vista o futuro - são fatores de produção pelo menos tão importantes para a criação de riqueza quanto qualquer outro tipo de capital. Ao contrário do que acreditavam os teóricos do desenvolvimento, para os quais a acumulação de capital físico no setor industrial era a chave do crescimento, a tendência do mundo moderno é clara no sentido de tomar o cérebro humano, cada vez mais, o fator decisivo para o sucesso econômico. Mas para formação desse estoque de competência e capacidade de aprender é necessário que haja mo esforço compatível de investimento na saúde e educação da população mais jovem. No Brasil, contudo, o crescimento populacional, a concentração de renda e o próprio perfil dos gastos públicos na área social funcionaram - e ainda funcionam - como grandes obstáculos à formação desse capital humano na proporção adequada: o crescimento populacional, a concentração de renda, os gastos sócias do governo. Em suma, a situação de absoluta carência das famílias mais pobres faz com que elas deixem de investir de forma adequada na formação de capital humano nas gerações mias novas.Sintese de artigo /Folha de São Paulo.
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