Com tantos enigmas sem respostas, a arqueologia cumpre bem o seu papel de espiã do passado, e a aventura da humanidade
sobre a terra desde o seu início toma as formas e contornos de uma história clara e coesa. A tese do
difusionismo defende que o Antigo Egito foi a primeira civilização a aparecer e dar origem a todas as outras. Esta teoria defende que até as ruínas encontradas nas américas teriam sido erguidas com a ajuda dos egípcios, distantes milhares de kilômetros dali. E mais uma vez, tem-se o exemplo de como a arqueologia consegue derrubar teses inabaláveis. As ruínas de Palenque, descobertas em 1839 pelo americano John Lloyd Stephens, provam que os maias existiram muito antes dos egípcios. O alemão Jules Oppert, em 1869, encontra em textos dos assírios referências à civilização anterior, que ele denominou sumérios. Pouco depois, em 1894, Flinders Petrie, britânico, descobre no sul do Egito 3 mil covas rasas, comprovando o que Jules Oppert tinha afirmado, e acrescentando que os sumérios deram origem aos assírios. Mas a contradição desta história começa com Henri Frankfort. Arqueólogo holandês que em 1940 verificou uma nítida diferença de padrões e estética entre essas duas sociedades, refutando o difusionismo e propondo a idéia de que as civilizações teriam surgidas aproximadamente entre o mesmo espaço de tempo, em determinados pontos do mundo. A dúvida sobre o difusionismo termina com Alberto Ruiz Lhuillier, mexicano que achou a tumba do Rei Pacal nas Ruínas de Palenque. Isto assegurava que não havia nenhuma semelhança nas arquiteturas entre pirâmides maias e egípcias, ou seja, sem chance de ter havido contato entre elas. O americano Kent Flannery (1966-1981), em suas escavações no sul do méxico, comprova que aquela civilização era totalmente diferente da egípcia a partir da arquitetura de uma casa construída no período de 1300 a.C. Para ilustrar melhor o desfecho, todos os artefatos e toda a produção talhada em pedra dessas três civilizações não podiam ser comparadas entre sí, são esteticamente diversas e demonstram quão diferentes contextos se criaram e desapareceram.