Se todos tivessem a mesma cor de pele e traços fisionômicos semelhantes, a humanidade não seria tão diferente do que
é, como afirma o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela USP. A suposta superioridade de um povo sobre outro continuaria a existir, só mudaria o foco pelo qual se manifesta. É realmente fácil de se comprovar. Mesmo em sociedades ainda não desenvolvidas, como tribos e aldeias distantes de nós, existem conflitos e lutas entre um mesmo grupo ou etnia, como é o caso dos Tútsis e Hutús em Ruanda. Isso sem citar os muçulmanos, que têm divergências dentro da mesma fé: são todos muçulmanos. O argumento para o domínio de um povo sobre outro sempre encontra uma justificativa, mesmo que isso exclua, por exemplo, diferenças do biotipo. Seja pelo desenvolvimento econômico, cultural ou tecnológico, sua força perante um povo mais vulnerável sempre gera um motivo de
intolerância como ponto de partida para a exploração. As sociedade, sem exceções, têm sempre uma lista de elementos pelos quais se distingue pejorativamente das demais, é universal, explica João Baptista Borges Pereira, professor na USP e Mackenzie. Enfim, as disputas de poder continuaram a existir sob outras contingências, baseadas em outras diferenças, assim como a luta das minorias por igualdade seguiria pelos mesmos caminhos.