Você chega na recepção de um hotel, e lá está, aquela linda recepcionista. Muito simpática, ele gentilmente se prontifica
a atendê-lo da melhor forma possível. Você se sente tão prestigiado. Fica até feliz, pois, até aquela hora do dia não tinha se sentido tão importante. Você procura pelo gerente para resolver assuntos profissionais. A atendente gentil então responde: “Só um minutinho, vou estar avisando a ele que você está aqui.” Pronto! É aí que a coisa começa a complicar. Que papo é esse de “minutinho”. Um minuto são sessenta segundos, que dura um minuto. E o pior, abuso do
gerundismo, aquela conhecida forma verbal de estar + verbo + ing (gerúndio). Está construção tem sido tão usada que parece aquela calça jeans velha e surrada. Aliás, deve haver um curso de gerundismo para se especializar como atendente comercial e afins. Agora preste atenção. Entre “vou estar fazendo” e “vou fazer” qual você prefere? A primeira construção tem uma carga inconsciente da pessoa que fala, pois, quando alguém vai “estar fazendo”, existem duas hipóteses: Ou vai demorar muito, ou não vai ser feito. É claro que a primeira construção denota simplicidade de uso, veemência na afirmação e bom senso de quem fala, tornando possível o atendimento das suas expectativas no menor prazo possível. É interessante notar como a gramática (matéria repudiada nos ensinos fundamental e médio) pode mostrar a intenção das pessoas em relação ao que elas fazem ou querem fazer, mesmo acidentalmente (como no caso do ato falho – a pessoa fala uma palavra sem querer). No caso do uso repetido destes verbos, parece um vírus que se alastrou, e quando o atendente fala, quer dar mais importância ao seu modo de falar do que àquilo que está sendo dito e que realmente importa: saber se vamos ser atendidos ou não naquela empresa.
Não cabe aqui defender se o uso exagerado do gerundismo está certo ou errado. Mas que é também um forte indício de pobreza de linguagem e pouca leitura, pois, a criatividade lingüística nasce através do constante hábito de ler. Quando se usa uma expressão tão “batida” para parecer bonito e inteligente, fica burro e feio. Confirma que o interlocutor não é bem informado sobre o seu idioma, sobre a falta de originalidade linguística, sobre os milhares de outros recursos da língua que podem ser usados e que envolvem e agradam às pessoas que a estão ouvindo.