A discussão sobre ensino público e ensino privado é de grande importância na história das nações. Romanelli nos apresenta
exemplos da Itália e da França, países que entenderam o retrocesso que se daria ao “privatizar”, por assim dizer, as atividades educacionais, tornando-as uma “atividade livre”, e não um dever do estado para com a
sociedade. Até certo ponto, pode se comparar este embate entre ideologias opostas com os mais recentes episódios na política brasileira: o caso das privatizações das grandes estatais. É uma luta entre ideologias. Estes contrapontos também se tornan um grande problema na medida em que os interesses de direita ou de esquerda se sobrepõe aos fatos importantes: as políticas para a educação são imprescindíveis para o desenvolvimento em todos as âmbitos numa sociedade, seja econômica, social, tecnológica ou culturalmente. É como se perpetuasse a velha luta de classes através dos tempos, desde que o homem se firmou como ser social. Há uma interpretação de que o estado monopoliza o ensino e o deteriora. Atribuir à educação pública o título de fracasso é uma idéia difundida entre as pessoas com o claro propósito da iniciativa privada em obter recursos do sistema público para cumprir tarefas que são inerentes a esse mesmo sistema público. Nessa discussão, a maioria dos autores, mesmo os maiores pensadores internacionais na área de educação, concordam que o ensino público é tarefa do Estado, pois, só ele teria condições e alcance necessários ao progresso do país, já que cabe a ele ultrapassar as barreiras no campo das lutas ideológicas, assegurando, através do cumprimento das leis, os direitos e deveres dos cidadãos. Assim os autores partem da premissa de que só o Estado pode assegurar que todos tenham condições em pé-de-igualdade para se desenvolver como seres humanos, pois, ele nada mais é do que a própria personificação das pessoas, representadas por governantes. É através dele que os valores cívicos são difundidos na população através de um sistema educacional que tenha a unidade necessária para atingir esses objetivos, mas com a flexibilidade para discernir entre as diferenças demográficas, econômicas e culturais na sociedade, já que há uma mudança de postura em torno da educação, pois, pensava-se na educação como um meio do homem para se adaptar ao meio ambiente, e, a partir de um salto tecnológico operado em todo o planeta após a era industrial, descobriu-se que o homem tem mais recursos do que imagina para transformar o meio em que vive através das mais variadas técnicas nas diversas áreas do conhecimento. Por isso, a educação precisa ser universalizada, ou seja, ter uma organização que alcance a toda a sociedade de tal modo que não restrinja grupos ou até mesmo as massas, colocadas à margem por empecilhos políticos, econômicos, religiosos ou de qualquer outra natureza ideológica manipulada por grupos dominantes. De tudo que foi apresentado nos textos, em concordância com a constituição de 1946, pode-se dizer que o Estado tem papel fundamental para a democratização do ensino. Caso contrário, o direito de aprender com liberdade de pensamento estaria sujeito a pressões de organismos engajados na sua própria causa: difundir sua própria ideologia em detrimento de um ensino que vise o respeito na formação das pessoas, sobretudo valorizando o aspecto humano.