A
fantasia precisa ter limites, é o que explica o psiquiatra e psicoterapeuta Mário Jorge Calheiros. Segundo ele, quando
as pessoas fantasiam estão usando uma ferramenta psíquica para potencializar os prazeres que a realidade não oferece. Assim como o fetichismo, anseios religiosos, afetivos e profissionais, a
fantasia é um mecanismo de defesa normal do ser humano, e é também através dela que se compensam os desprazeres gerados pelo cotidiano, visto que somos seres movidos pelo impulso de prazer. A fantasia minimiza frustações, ela e necessária. É preciso um pouco de ilusão para aliviar a constante pressão da vida.
Mas fantasiar em excesso também é prejudicial. As realidades existem e devemos saber diferenciá-las do mundo dos sonhos que muitas vezes criamos em nossas cabeças. Quando esses mundos se confundem estamos diante de uma patologia, que pode evoluir para delírios, sendo necessários medicamentos e assistência psicológica.
No Carnaval, por exemplo, muitas pessoas se convencem de que tudo se pode, e acabam tendo comportamentos que, depois do período de festas, podem trazer muita dor psíquica, culpa e estima por si mesmo baixa.
Em festas e depois de longos períodos de escola ou trabalho, pessoas entediadas também costumam a abusar das suas fantasias, liberando desejos reprimidos que os levam a atitudes das quais depois passam a se sentir arrependidos.
Talvez o exercício da ponderação seja um hábito necessário para a maioria de nós em todos os aspectos da vida. Através dele pode ser possível caminhar sempre no sentido de encontrar a felicidade, que não existe o tempo todo, mas que pode ser sempre reencontrada a cada perda inevitável que a vida nos oferece.