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Shvoong Home>Ciências Sociais>Resumo de Crianças e adolescentes abrigados

Crianças e adolescentes abrigados

Resumo do Livro   por:mariabua     Autor : maria luiza
ª
 
No abrigo, as adolescentes relacionam-se com uma espécie de "família artificial"Se por um lado as adolescentes moram no abrigo, por outro o mesmo possui relação direta com a evolução jurídica do caso, uma vez que deve informar ao juizado o comportamento da adolescente, bem como quaisquer informações relevantes para o desenrolar do processo no que se refere às perspectivas de reinserção familiar.
É aí que vemos que o abrigo, desde que capacitado tecnicamente para tal, possui potencial para atuar neste processo, como agente educacional, e não apenas mero expectador ou administrador dos deveres e direitos das adolescentes.
Se todo trabalho educacional se apóia no vínculo entre educador e educando, cabe-nos interrogar a natureza deste vínculo que as adolescentes constroem no abrigo a fim de entender as possibilidades e limites da ação educativa.
Primeiro, vamos considerar que uma das características dos vínculos afetivos no abrigo é que neste contexto os mesmos estão sempre confrontados com a meta do desabrigamento, pois todas sabem que a permanência na casa é transitória. Há uma ambigüidade saber que o abrigo só pode realizar sua tarefa educacional se houver um vínculo afetivo da adolescente com os profissionais, e, ao, mesmo tempo, trabalhar as condições que viabilizem o desligamento, a separação. Em muitos casos isto aparece claramente na verbalização: "vocês não gostam de mim, querem se livrar de mim". Costumo afirmar para as adolescentes que é verdade que nosso trabalho é profissional, e que temos por meta que elas voltem para um contexto de família, mas que isso não significa desafeto, e nem que precisamos brigar para que isto aconteça, até por que trabalhamos um desligamento gradual, e é comum que as adolescentes continuem tendo o abrigo como referência afetiva mesmo após terem saído.
Outra característica refere-se ao sentimento de confiança no adulto, que foi comprometido, em maior ou menor grau, pela experiência de violência familiar. Não podemos esquecer que estas adolescentes foram traídas pelas pessoas que deveriam amá-las e protegê-las, assegurando seus direitos: seus pais. As feridas emocionais são profundas, e o sentimento de perda é avassalador. Sua história é essencialmente de ruptura de vínculos, e sabemos o quanto isto acarreta dificuldades na construção da identidade dos sujeitos, na medida em que perdem as referências da sua história (pessoas, território, etc).
A idéia de adolescente vitimizada, necessária para uma desculpabilização e busca de direitos não deve contudo arraigar-se na identidade como "A vítima", a ponto de sempre colocar-se numa postura passiva diante de seu destino, não permitindo a responsabilização do sujeito pelas opções que venha a fazer no processo de reinserção familiar e social. Se somos um abrigo de proteção, trata-se de proteção das condições que possam acarretar uma revitimização, e não proteção das responsabilidades e dos conflitos que fazem parte da vida em sociedade. Percebemos o quanto as adolescentes idealizam uma futura família, muitas vezes não sabendo lidar com regras e limites normais em qualquer grupo social. Por isto o próprio grupo que se forma no abrigo pode ser trabalhado como uma "oficina de convívio", que capacite o sujeito a viver em sociedade.
Outro aspecto é que estas meninas estão numa etapa da vida que normalmente já é conturbada pois traz à tona a diferenciação, a afirmação de uma identidade própria que as vezes se confunde com a não aceitação de nenhuma orientação que venha do outro. Ou seja, a todo tempo temos que lidar num campo onde não há padrões generalizáveis para a dose de limites e de permissividade.
Especialmente quando há muita agitação no ambiente, é mais fácil ajudar a acalmar o adolescente através de uma atividade concreta que canalize sua energia para uma atividade produtiva do que partir para o enfrentamento.
Ou seja, um dos eixos fundamentais da reflexão sobre o trabalho técnico no contexto dos abrigos refere-se à construção da identidade das adolescentes. Identidade esta que se constrói na relação com o outro, com ênfase nos primeiros vínculos da infância, e que se reafirma ou resignifica no decorrer da existência nas relações mais íntimas do sujeito.
As adolescentes tendem a estabelecer relações que inconscientemente repetem sua história, por exemplo, "provocando" o adulto até que este tenha reações de impaciência, ou então assumindo uma postura de indiferença, que é uma forma de testar a medida do amor do outro, ou proteger-se de mais um vínculo que supõe fadado ao fracasso. É importante afirmar sempre a disponibilidade para o diálogo, com uma postura profissional.
Podemos concluir afirmando que a experiência bem sucedida de confiança contribui para o restabelecimento da crença na possibilidade de vínculos construtivos, cooperativos, que saiam da lógica da agressão, de dominação, de abandono. Este é o papel de todos os que trabalham no abrigo, que não deve assustar-se frente aos conflitos, mas lembrando sempre que "uma instituição não deve ser considerada sadia ou normal quando nela não existam conflitos, e sim, quando a instituição pode estar em condições de explicitar seus conflitos e possuir os meios e possibilidades de arbitrar medidas para sua resolução."

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Publicado em: 14 março, 2008   
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  1. Responda   Pergunta  :    O QUE ACONTESE COM ADOLESENTES QUE SAIRAM DE CASA PARA TRABALHAR E QUEM AJUDAR PODE SE PREJUDICAR O AJUDANDO Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    como eles sesentE forA DE CASA Veja tudo
  1. Responda   Pergunta  :    os adolecentes trabalham ( 1 Responda ) Veja tudo
  1. Responda  :    sim terça-feira, 17 de maio de 2011
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