APTIDÃO
Infelizmente, temos de considerar que a maioria dos profissionais em educação não é profissional por aptidão e sim, por opção. Vamos levar em consideração que aptidão é diferente de opção. Aptidão é o estado de uma pessoa que a lei considera capacitado a desempenhar certa função ou praticar um ato; porquanto, opção, embora seja um direito de livre escolha ou preferência, há também em seu significado semântico uma promessa de uma transação. As universidades brasileiras estão pouco ligadas a esta questão. Elas oferecem cursos, recebem seus vestibulandos e, através da opção, inventam fórmulas mágicas capazes de suscitar nos acadêmicos a aptidão. Os estudantes, ao vencer o prazo estipulado pela grade curricular, são lançados ao
mercado de
trabalho. Muitos, depois de conhecer a realidade de suas profissões, ficam frustrados. Não tendo como voltar atrás, eles acabam fazendo aquilo que não gostam. Apenas sabem que têm de trabalhar para sobreviver e manter a sua dignidade diante de uma opção que nada tem a ver com a sua aptidão. O mercado de trabalho que mais periclita com isto é a
escola. Por que a escola?
CAMPO DE TRABALHO Sabemos que dentre todos os cursos oferecidos pelas universidades brasileiras, os em educação custam, em média, bem menos que outros. O campo de trabalho é vasto, não necessita propriamente de experiências anteriores e nem de comprovar total sapiência. Basta freqüentar a universidade, obter o diploma, inscrever-se em escolas-públicas e pronto! Em caso de escolas particulares, enviar currículos e esperar por uma vaga, que na maioria das vezes, surge com facilidade. Tornar-se professor é bem mais fácil do que qualquer outra profissão. Não é à-toa que médicos, dentistas, advogados, engenheiros (e outras profissões cabíveis) transformam-se em professores, bastam querer. A escola, por sua vez, ganha uma multiplicidade de profissionais capazes de fazê-la um campo de saber totalmente interdisciplinar. E os professores (os verdadeiros profissionais em educação) são obrigados a conviver com esta realidade excepcional criada pela educação. E o verbo “educar”, não está mais inserido a um contexto propriamente específico a uma área que requer cuidados pedagógicos. Gregos e
latinos, há muito, questionavam este quesito, envolvendo a interdisciplinaridade com a força voltada à
Filosofia. Foi-se o tempo em que a escola buscava o seu
ideal filosófico. Hoje, porém, mal sabe traçar a sua filosofia de trabalho.
DIALÉTICA DISCURSIVA A escola brasileira que encontramos hoje não é mais a ideal para atender aos anseios da comunidade. Ela é puramente individualista. A sua dialética discursiva não está mais voltada ao bem estar do País, ao contrário, está a serviço do bem estar do aluno. E quando falamos do bem estar do aluno, deixa-se de lado a didática, porque esta, infelizmente, esvaziou o seu
discurso. A formação do aluno se dá, hoje, de forma caótica, contrária a todos os princípios rezados, anteriormente, pela escola séria, objetiva e filosófica. Aspirar a um diploma, hoje, não tem o mesmo valor semântico de quem o almejava ontem. É fácil perceber isto, bastamos verificar o número de pessoas competentes em seus mercados de trabalho. Quão grande é o número de pessoas demitidas devido à exigência imprescindível para consecução de certas tarefas. O mais triste em tudo isso é que a maioria possui diplomas. E possuir diplomas não é apenas tornar-se uma pessoa letrada, mas sim, que tenha um bom nível de letramento.
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