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A LINGÜÍSTICA DO SÉC. XX: BALANÇO CRÍTICO

por : magnus2    

Autor : Gustavo Adolfo Pinheiro da Silva (UERJ e UGF)
A LINGÜÍSTICA DO SÉC. XX: BALANÇO CRÍTICO
A primeira das teses fundamentais do Curso de Lingüística Geral
de Ferdinand Saussure é, sem dúvida, a oposição língua e fala. Ao separar a língua da fala, Saussure estabelece ao mesmo tempo um objeto científico e um objeto especificamente lingüístico: um objeto científico, ao se discriminar o que é geral e social do que é exclusivamente individual; e um objeto especificamente lingüístico, separando-se, ao mesmo tempo, nas próprias palavras de Saussure, “o essencial do acessório”. Saussure desloca, portanto, para fora da lingüística propriamente dita todas as questões em torno do sujeito falante.
A fala como uso da língua, aparece como caminho da liberdade humana; avançar sobre este caminho estranho que conduz dos fonemas ao discurso, é avançar gradativamente do sistema à contingência da liberdade. O contextualismo, em oposição ao “literalismo” (Dascal, 1982), defende, em filosofia da linguagem, que o sentido se caracteriza como globalmente ligado ao contexto. Ao contrário, várias teorias exponenciais do sentido procuram salvaguardar uma noção de sentido “literal” ou “independente do contexto” que é necessária quando se quer proteger a autonomia e independência da semântica. A defesa do contextualismo não implica que a teoria da pragmática deva ser vaga e assistemática. A gramática profunda da Pragmática não é a gramática profunda da Lingüística, porque em Pragmática são pertinentes estratégias ao invés de regras. Ao contrário, uma “competência comunicativa” pragmática é uma competência de compreensão.
A Pragmática é caracterizada essencialmente pela concepção da dependência contextual do sentido discursivo, da racionalidade dependente do contexto e pela orientação da compreensão.
A Pragmática pressupõe o sujeito em discurso. A consideração dos aspectos pragmáticos da linguagem remonta ao filósofo americano Charles Peirce, um dos iniciadores da Semiótica. Isso coloca em cena o usuário do signo.
(Peirce, 1972:131)
Nessa passagem, Peirce colocava a questão de que há signos que são interpretados somente em relação aos objetos da situação em que o usuário faz uso da linguagem.
É, no entanto, com Charles Morris (1938, 1946) e Carnap (1942) que se propõe um componente pragmático na teoria dos signos.
Em “Foundation of the Theory of Signs”, Morris propõe a tripartição da Semiótica em sintaxe, semântica e pragmática. A Pragmática investiga a dimensão pragmática da semiose, ou seja, o modo como o signo expressa ser utilizador, já a semântica investiga a maneira como o signo denota seu objeto. A abordagem do aspecto pragmático na linguagem se inicia e se desenvolve fora da Lingüística. Com os lógicos e filósofos da linguagem como Bar-Hillel (1954), Austin (1962), Grice (1972,75), Searle (1972), Stalnaker (1972).
Ao primeiro tipo de Pragmática (que subordina o usuário ao referente) chamaremos indicial.
Opondo-se a idéia de eminência do sentido, conforme algumas versões do estruturalismo, os lógicos e filósofos têm sustentado que o sentido da linguagem se verifica na sua relação com seus referentes.
A consideração desses índices ou categorias dêiticas (pessoa, tempo, espaço) na descrição do sentido leva a uma Pragmática indicial.
Neste caso, observamos uma vertente da Pragmática que tem por objeto a relação linguagem-usuário, mas na medida em que o usuário é visto como intérprete do signo.
Uma terceira vertente da Pragmática é a que considera o usuário como interlocutor. Para Grice, a questão do significado lingüístico é considerado como uma função da intenção do enunciador e do reconhecimento desta intenção pelo ouvinte. A questão do significado é, portanto, fundamentalmente pragmática.. O usuário, na sua relação com a linguagem, é visto, desta forma, como interlocutor.
(Grice,1975:45-46).
3. Relação: seja relevante.
Vejamos num exemplo a máxima da relação: seja relevante (Grice, 75:46). As janelas abertas aumentam o frio da sala.
Re
Publicado em: fevereiro 18, 2008
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