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O QUE É ENSINAR PORTUGUÊS?
Ensinar português para pessoas que já sabem falar português.
IMPLICAÇÕES: apesar de que o aluno fale a língua
portuguesa, isso não implica que ele saiba o português. O ensino da língua portuguesa não se restringe apenas à alfabetização, apesar de este período ser, na verdade muito especial.
OBJETIVO DO ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA: mostrar como funciona a linguagem humana e, de modo particular o português: usos abrangendo metas específicas nas suas modalidades escrita e oral em diferentes situações de vida.
ABRANGE:
· Propriedades e usos que ela realmente tem;
· O comportamento da sociedade e dos indivíduos com relação aos usos lingüísticos.
ERROS ESCOLARES:
· Apegar à gramática normativa e à metodologia de exigir redações e fichas de leitura;
· Não ensinar ao aluno como ele fala, qual o valor funcional dos segmentos fônicos de sua língua, como compõe a morfologia desta, a sintaxe, a semântica;
· Não levar o aluno o interesse em aprender uma variedade do português de maior prestígio;
· Não partir do conhecimento que a criança tem de sua fala e da fala de seus colegas para a partir daí ensinar o que deve.
FUNDAMENTAL AO ENSINO DE PORTUGUÊS:
Fundamental, essencial e imprescindível distinguir três tipos de atividades ligadas respectivamente aos fenômenos da fala, da escrita e da leitura, que são três realidades diferentes da vida de uma língua.
O QUE É A LINGUAGEM?
LINGUAGEM: manifestação do pensamento.
Forma de expressão: SIGNO - SIGNIFICANTE - SIGNIFICADO
SIGNO LINGÛÍSTICO: está presente na fala, na escrita e na leitura.
OBSERVAR: pronúncia ≠ escrita = transcrição fonética
Disse por /disi/
Patinho por /patio/
Mercado por /mercadio/
Que é a senhora por /qieasiora/
A escola, portanto, deve fazer os alunos observarem que eles não falam de uma única maneira, mas de várias, segundo os dialetos de cada um, o que implica na fala e na leitura dos textos; porém, quanto à ortografia, a forma é única e ele deverá aprendê-la.
O aprendizado da escrita e da leitura não termina ao final da 1a série ou do ensino fundamental ou médio, mas ao longo de todos od anos de estudo.
O CERTO, O ERRADO E O DIFERENTE
“(...) No ensino de português não há Pedagogia, Psicologia, Metodologia, Fonoaudiologia etc. que substitua o conhecimento lingüístico que o professor deve ter. Sem uma base lingüística verdadeira, as pessoas envolvidas em questões de ensino de português acabam acatando velhas e erradas tradições de ensino ou se apoiando explicita ou implicitamente em concepções inadequadas de linguagem.”
- A LÍNGUA NÃO É UM DICIONÁRIO, UMA LISTA DE PALAVRAS, E UMA FRASE OU TEXTO;
- A ESCOLA NÃO SABE COMO AS PESSOAS DE FATO PRONUNCIAM OS SONS, COMO APRENDEM UM DIALETO, COMO ESCREVEM E O QUE É PRECISO FAZER PARA APRENDEREM A LER;
- QUANDO O ALUNO É REPROVADO É TACHADO DE CARENTE, RENITENTE, BURRO, INCAPAZ DE DISCRIMINAR SONS E IMAGENS, DE SE CONCENTRAR NO TRABALHO INTELECTUAL
- É DE SE LEVAR EM CONTA QUE O MODO DE FALAR DE UMA CRIANÇA (CLASSE ALTA) É BEM DIFERENTE DE OUTRA CRIANÇA QUE NÁO VIVEU COM LIVROS, LEITURA E ESCRITA, QUE FALA UM DIALETO DIFERENTE DO DA ESCOLA.
“ A língua portuguesa, como qualquer língua, tem o certo e o errado somente em relação à sua estrutura. Com relação a seu uso pelas comunidades falantes, não existe o certo e o errado lingüisticamente, mas o diferente”.
“O português, como qualquer língua, é um fenômeno dinâmico, não estático, isto é, evolui com o passar do tempo”.
Mas...
“Para a escola, infelizmente, a variação lingüística é vista como uma questão gramatical, de certo ou errado. O diferente não tem lugar em sua avaliação, embora represente a maioria dos fatos que o alfabetizador enfrenta.”
“Um outro lado da questão do certo, errado e diferente na atividades de português nas escolas diz respeito à valorização indevida que se dá à escrita. A escola comumente leva o aluno a pensar que a linguagem escrita é por natureza é por natureza lógica, clara, explicita, ao passo que a linguagem falada é por natureza mais confusa, incompleta, sem lógica (...)”
E a escola comete os mesmo erros quanto ao uso da gramática normativa, tendo-a como um corpo de leis para reger o uso da linguagem. Dessa forma esquecem que a linguagem é um fenômeno dinâmico e que as línguas mudam com o tempo.
Publicado em: janeiro 30, 2008
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