A noção se sociedade presente na obra de Pierre Bourdieu é diferente da que muitos sociólogos utilizam e utilizaram ao longo do tempo. Contraposta a visões lineares como a da
sociologia marxista, a noção de sociedade em Pierre Bourdieu é substituída pela noção de
mundo social, e a noção de estrutura social é substituída pela noção de
campo (que passa a ser a unidade explicatva de grande escala utilizada por Bourdieu).
Para compreendermos o que Bourdieu chama de Mundo Social (e que cojuga
estruturas, indivíduos, grupos,
habitus e diversas modalidades de capital) devemos entender que para este autor o espaço social é composto por campos, os quais se compõe de diversas forças sociais atuantes, forças estas encarnadas nas estruturas e nos agentes. A posição dos elementos do campo, ao contrário das teorias que pressupõe uma linearidade estrutural (como a teoria marxista, que pressupõe a existência de classes sociais), se apresenta definida pelo modo como estes se relacionam entre si, e que varia em função do volume global e da estrutura dos diversos tipos de capital (como capital cultural, econômico, simbólico, informacional...) de acordo com a natureza do campo em que tais relações se desenvolvem. Por
exemplo, em um campo que se pode chamar acadêmico, as regras de valorização dos indivíduos e estruturas se dá a partir da posse de capital cultural dos mesmos, em detrimento, por exemplo da posse de outro tipo específico de capital (como o capital econômico).
Deste modo o conceito de classes sociais perde totalmente o sentido, substituído porém por recursos de poder explicativo muito maiuores, como por exemplo, a perspectiva que relaciona indivíduos, estruturas, habitus e tipos de capital com regras pertinentes a cada campo do mundo social.
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