A estratégia da preocupação é nos manter distantes do momento presente, imobilizando as realizações do agora em função das
coisas que poderão ou não
acontecer. Assim, desperdiçamos
tempo e energias com eventos do porvir, sobre os quais na verdade não temos absolutamente qualquer tipo de comando. São várias as preocupações sobre as quais não temos nenhum controle: a doença do outro, a alegria dos filhos, o
amor das
pessoas, o julgamento alheio sobre nós, a morte das pessoas queridas. Podemos, no entanto, nos "pré-ocupar" o quanto quizermos com as questões citadas, que não traremos a saúde, a felicidade, o amor, a consideração ou mesmo o retorno à vida, porque todas elas são coisas que fogem às nossas possibilidades. Ainda outra questão é quando passamos por enormes desequilíbrios causados pelo desgaste emocional de nos ocuparmos antes do tempo certo com coisas e pessoas, o que ocasiona insônia, decepções e angustias pelo temor antecipado do que poderá vir acontecer no amanhã. Não se deve confundir "pré-ocupação" com "previdência", porque se preparar ou ser precavido para realizar planos futuros é tino de bom senso e lógica; mas prudência não é preocupação, porque enquanto uma é sensata e moderada, a outra é irracional e tolhe o indivíduo, prejudicando-o nos seus projetos e empreendimentos de hoje.
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