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Shvoong Home>Ciências Sociais>Jean Braudrillard, o homem que detonou a trilogia Matrix.

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Jean Braudrillard, o homem que detonou a trilogia Matrix.

por : RuiWerneck    

Autor : Rui Werneck
RESUMO: Jean Braudrillard, o homem que detonou a trilogia Matrix.
Você adora a trilogia Matrix? Então,
tem que conhecer o pensador que inspirou os diretores e depois detonou os filmes.
Como todo bom francês, o pensador Jean Baudrillard, de 78 anos, se recusa a falar em inglês. Mas conseguiu ser muito popular nos Estados Unidos porque seu nome está na boca e nos ouvidos dos espectadores da trilogia Matrix. No primeiro filme dos irmãos Wachowski, o hacker Neo (Keanu Reeves) guarda seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard. Keanu leu o livro e costuma mencionar o autor em todas as suas entrevistas sobre Matrix Reloaded, o último filme da trilogia. Foi o ensaio sobre como os meios de comunicação de massa produzem a realidade virtual que inspirou os diretores de Matrix a criar o roteiro.
Veja o que Baudrillard disse de Matrix: — É uma produção divertida, repleta de efeitos especiais, só que muito metafórica. Os irmãos Wachowski são bons no que fazem. Keanu Reeves também tem me citado em muitas ocasiões, só que eu não tenho certeza de que ele captou meu pensamento. O fato, porém, é que Matrix faz uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade. Os diretores se basearam em meu livro Simulacros e Simulação, mas não o entenderam. Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente. Nos dois filmes, minhas idéias estão mais bem aplicadas. Os Wachowskis me chamaram para prestar uma assessoria filosófica para Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, mas não aceitei o convite. Como poderia? Não tenho nada a ver com kung fu. Meu trabalho é discutir idéias em ambientes apropriados para essa atividade.
Aqui já resumi um livro muito importante de Guy Debord, outro francês que abriu as portas da sociedade do espetáculo para o mundo. Uma calorosa discussão sobre o mundo como lugar virtual e sem destino. Estamos vivendo dentro de microcomputadores emaranhados em redes de ligações que nos fazem perder o contato com a realidade imediata. Trocamos idéias, fotos, aspirações com pessoas longínquas e jamais saímos do lugar para conhecer pessoalmente. A satisfação que o Orkut dá basta para a maioria absoluta dos internautas.
Jean Baudrillard diz mais sobre Arte: — A arte se integrou ao ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav Mahler. Claro que há exceções, mas, em geral, os artistas se renderam à realidade tecnológica. Desde os ready-mades de Marcel Duchamp, a importância da arte diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a singularidade. Os artistas se submetem a imperativos políticos, e não mais seguem ideais estéticos. A arte já não transforma a realidade e isso é muito grave.
Sobre os atentados nas Torres Gêmeas, diz Baudrillard: — Claro que mudou. Nunca mais seremos os mesmos depois da destruição do World Trade Center. Abordo o tema em Power Inferno, uma coletânea de artigos sobre o império americano e a política. Considero os atentados um ato fundador do novo século, um acontecimento simbólico de imensa importância porque de certa forma consagra o império mundial e sua banalidade. A Guerra do Iraque apenas dá seqüência às ações imperiais. Os terroristas que destruíram as torres gêmeas introduziram uma forma alternativa de violência que se dissemina em alta velocidade. A nova modalidade está gerando uma visão de realidade que o homem desconhecia. O terrorismo funda o admirável mundo novo. Bom ou mau, é o que há de novo em filosofia. O terrorismo está alterando a realidade e a visão de mundo. Para lidar com um fato de tamanha envergadura, precisamos assimilar suas lições por meio do pensamento.
Assim, fique de olho nos livros desse pensador importante do nosso novo mundo. Vá atrás, leia, e se aprofunde nas sutilezas da sociedade de massa, da sociedade do espetáculo, das bugigangas que estão nos soterrando no buraco sem fundo da virtualidade. Abraços, Werneck
 
Publicado em: outubro 19, 2007
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