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Shvoong Home>Ciências Sociais>Soja na menopausa

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Soja na menopausa

por : Anonymous    

Autor : Carolina
nutritotal@nutritotal.com.br>nutritotal@nutritotal.com.br>A maior motivação para suplementação de fitoestrogênios da
soja na menopausa ou pós-menopausa reside na redução da freqüência e gravidade das ondas súbitas de calor que acometem essa população de mulheres. Essa diminuição foi observada em estudo prospectivo conduzido em japonesas (2) que consumiam soja ou isoflavona isolada da soja e confirmada por outros estudos controlados utilizando soja (3), isolado de proteína de soja (4,5) e extratos de soja (6-8), oferecendo 30 a 104 mg/dia de isoflavonas. Apesar de alguns estudos não confirmarem esse benefício (9-12), as evidências científicas descritas (2-8) sugerem que o consumo de pequenas quantidades de isoflavonas (30 mg/dia) intactas na proteína de soja ou como extrato semipurificado pode reduzir em 30 a 50% as ondas súbitas de calor típicas da menopausa. Os dados contraditórios parecem estar associados à quantidade e apresentação do fitoestrógeno, bem como à condição de saúde da população estudada. Nesse sentido, o desenvolvimento de novas pesquisas para a padronização dessas variáveis é de grande interesse científico.
Além de atenuar os sintomas físicos da menopausa, fitoestrogênios da soja podem auxiliar na prevenção do desenvolvimento de distúrbios silenciosos e progressivos da saúde ligados à diminuição dos níveis orgânicos de estrógeno freqüente nessa fase da vida da mulher, como hipercolesterolemia e redução da massa óssea (13).
Após a consideração de numerosos estudos — incluindo meta-análise (14) envolvendo 38 trabalhos, que mostrou que a ingestão de 47 g/dia de proteína de soja resultava na diminuição de colesterol total (9%) e de LDL-colesterol (lipoproteína de baixa densidade, 13%) e apresentava uma tendência em aumentar HDL (lipoproteína de alta densidade, 14%) —, o Food and Drug Administration norte-americano (FDA) reconheceu a relação entre o consumo de proteína de soja e baixos níveis de colesterol e estabeleceu que “dietas pobres em gorduras saturadas e colesterol que incluem 25 g de proteína de soja por dia podem reduzir o risco de doenças cardíacas” (15). Porém, paralelamente, estudos utilizando extratos de isoflavona purificados derivados de soja não encontraram esses mesmos efeitos no perfil lipídico do sangue (14). Essa observação sugere que isoflavonas da soja reduzem LDL e provavelmente aumentam HDL, mas necessitam ser consumidas intactas, na proteína da soja.
Isoflavonas são fitoestrogênios isolados a partir da soja que, além de seu poder antioxidante, exercem efeitos hormonais e não-hormonais pela capacidade de se ligar a receptores de estrógeno (1). Esses efeitos estão associados a potenciais benefícios para saúde, especialmente em mulheres na menopausa ou pós-menopausa.
No entanto, no Brasil, o Departamento de Endocrinologia Feminina da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) considera as evidências científicas encontradas ainda insuficientes para justificar o uso de fitoestrogênios ou alimentação rica em soja como alternativa para terapia de reposição hormonal da menopausa (TRHM) e aponta a necessidade de se desenvolverem novos estudos clínicos bem estruturados, em longo prazo, utilizando fitoestrogênios da soja isoladamente contra placebo e também em associação com estradiol. Apesar dessas observações, a SBEM indica o consumo moderado de alimentos ricos em fitoestrogênios, como a soja, como um hábito de vida saudável e benéfico, potencializando os efeitos da TRHM.
Finalmente, cabe ressaltar que efeitos no risco de câncer de mama e consumo desses nutrientes são complexos. Apesar de os dados obtidos até o momento sugerirem que fitoestrogênios de soja poderiam teoricamente prevenir câncer de mama, particularmente quando ingeridos nas primeiras fases da vida, novos estudos são necessários para sua indicação específica a mulheres com alto risco de desenvolver essa neoplasia.
Publicado em: outubro 02, 2007
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