A Europa estava em
guerra, a Primeira Guerra Mundial. A Rússia sai da
guerra abandonando Inglaterra e França diante dos poderosos exércitos
Austríaco e Alemão... Rapidamente os norte-americanos enviam tropas
descansadas e com armamento de ponta em reforço, o que decide
(temporariamente...) a guerra a favor dos aliados ocidentais.Mas e a Rússia em si? O que estava acontecendo por lá, afinal? Os contemporâneos tomaram conhecimento da Paz de Brest-Litovskv assinada em março de 1918 entre a Rússia e a Alemanha.
O que significava este fato?
Para os Aliados era mais do que a saída de um membro da
Tríplice Entente da guerra. A decisão daquela Nação, provocava o
rompimento de mais um laço da Rússia com o Mundo Ocidental Capitalista.
A Revolução já se processara na Rússia: a Revolução Socialista.
O desmoronamento do Império Russo iniciou-se no momento em que
a guerra ainda não havia sido decidida nos campos de batalha da Europa,
quando na frente ocidental os exércitos se imobilizavam nas trincheiras
e na frente oriental enormes contingentes de soldados russos eram
destruídos pela ofensiva alemã.
No entanto, as origens da Revolução Russa devem ser procuradas
nas estruturas políticas e socioeconômicas da Rússia
pré-revolucionária: Monarquia Absoluta - Czarisrno - acentuada crise
socioeconômica - onde os camponeses reclamavam terra, o crescente
proletariado vivia em condições precárias e a burguesia era incapaz de
concorrer com o capital industrial estrangeiro, tudo se agravando com a
passagem do feudalismo ao capitalismo.
Nesse contexto surgiram os partidos políticos de oposição
que, desenvolvendo-se na clandestinidade até 1905, contribuíam para o
agravamento das contradições e, conseqüente-mente, para a crise. O
governo, por sua vez, mostrava-se incapaz de enfrentar a crise,
principalmente quando o Império entrava em guerra. Tudo se mostrava
bastante propício para o início da Revolução... mas para a implantação
do Socialismo muitas coisas precisavam ser feitas...
Em 1905 ocorreu o Ensaio Geral “e algumas concessões foram
arrancadas do Czar: o direito de voto, uma Assembléia (a Duma), ao
mesmo tempo em que surgia nova forma de organização, o soviete”.
O que eram os sovietes? Eram conselhos de representantes
operários, camponeses e soldados que surgiram como forma de organizar
os movimentos populares.
Durante o Império, o proletariado, abandonando as simples
greves de reivindicações econômicas, passara a promover manifestações
de cunho político, como a do dia 1º de maio de 1900, na cidade de
Kharkov: uma verdadeira manifestação política de massa - dez mil
operários - exigia jornada de oito horas de trabalho e liberdades
políticas.
Porém, quando em janeiro de 1905 multidões de manifestantes
desarmados foram fuziladas nas ruas de Petrogrado (atual São
Petersburgo) extinguiu-se, em definitivo, a fé na “boa vontade” do
Czar...
Foi então que o movimento operário galgou mais um degrau. As
comemorações de 1° de maio de 1905 evoluíram para grandiosa
manifestação de solidariedade do proletariado... De maio até fins de
julho a greve não havia terminado ainda e os operários, com o objetivo
de melhor dirigir a greve, criaram, pela primeira a vez, o seu Soviete
de Deputados, isto é, o Conselho de Representantes Operários, logo
transformado em novo poder revolucionário.
A luta pela Revolução Socialista far-se-ia então, através
desses sovietes onde os Bolchevistas, Menchevistas e Socialistas
Revolucionários, expondo-lhes seus planos, procuravam liderá-los.
Um fato veio acelerar o processo revolucionário: a Rússia
entrou na Primeira a Guerra Mundial e o país, despreparado para os
esforços de guerra, teve seus problemas agravados, o que se evidenciava
na Duma, onde a oposição se fortaleceu.
Os movimentos grevistas cresciam e provocavam choques entre o
povo e a polícia, mas uma parte do Exército uniu-se aos manifestantes e
o poder czarista desmoronou... Foi a Revolução demarço de 1917.
Foi nesse clima que se desenvolveu na
Rússia, depois da Revolução Burguesa e no próprio curso da Primeira
Guerra Mundial, a Revolução Socialista. Controlando os principais
sovietes, os Bolchevistas prepararam a Revolução Socialista. O líder
dos Bolchevistas, Vladimir Ulianov (Lênin), estava exilado na Suíça
quando explodira a Revolução de Março. Nas memórias de Yakov Guenetzkov
encontramos relato sobre os planos de Lênin para voltar à Rússia;
descrevendo sua partida, mostra-nos a esperança que depositavam em
Lênin: "(...) eis que é chegada a hora de tomar o trem (...) enviamos
ao grande líder nossos últimos cumprimentos e pensamos: Ele há de
colocar a revolução sobre os trilhos certos (...)" (Citado por
NENAROKOV, A., 1917. A Revolução de Mês a Mês, Editora Civilização Brasileira, págs. 45 e 4G.)
Enquanto isso, a 4 de julho teve início em Petrogrado uma passeata
com mais de meio milhão de manifestantes. Suas faixas diziam: "Fora com
os Ministros Capitalistas", "Todo o poder aos Sovietes de Deputados,
Operários, Soldados e Camponeses".
Mas, como já ocorrera no ano de 1905, houve cenas de tiroteio
contra a passeata pacífica. O Governo Provisório, contando com o apoio
dos Menchevistas e Socialistas Revolucionários, convocou cossacos para
esmagar a manifestação das massas e fechar jornais bolchevistas.
A luta estava declarada. O Governo Provisório foi deposto e os
Bolchevistas assumiram o poder. No entanto, esta era apenas a primeira
etapa, pois, agora, não se tratava de uma simples tomada de poder por
um novo grupo. Os homens que tomaram o poder em 1917 procuraram, em
atos e palavras, criar um novo tipo de sociedade que apenas existia na
mente de seus adeptos até então.
No resto do mundo, a amplitude do fenômeno só foi totalmente
compreendida no pós-guerra. Na Rússia, no entanto, os protagonistas da
Revolução percebiam claramente sua importância. E John Reed que,
descrevendo uma reunião do Comitê Central Executivo dos Sovietes,
mostra-nos o pronunciamento da mulher, segundo ele, mais poderosa e
amada da Rússia, Maria Spiridonova:
Seu pronunciamento foi seguido pelo de Trotsky, que,
complementando-o, afirmou: “De hoje em diante todas as terras ;da
Rússia têm um único dono: a união dos operários, camponeses, soldados
de marinheiros!” (REED, J., op. cit., págs. 378 e 379.)
A Europa, quando tomou conhecimento de tudo isso, estava
mergulhada em crises. Era, então, um campo aberto para idéias
revolucionárias e, da partir daí, da "estrela" além de ter "perdido seu
brilho" com da Primeira Grande Guerra, debatia-se ante as tentativas
revolucionárias de tomada do poder nos moldes bolchevistas. E, com a
Segunda Grande Guerra, alguns países passariam da integrar o campo
socialista.
O mundo desde então ficaria dividido: Capitalismo de um lado e Socialismo de outro.
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