Émile Durkheim (1858 – 1917), era francês, considerado de “boa família”, formado em Direito e Economia, embora sua obra inteira seja dedicada à Sociologia. Seu
trabalho principia na reflexão e no reconhecimento da existência de
uma “Consciência Coletiva”. Numa rápida tradução, seria possível dizer que ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal selvagem e que só se tornou Humano porque se tornou sociável, ou seja, foi capaz de aprender hábitos e costumes característicos de seu grupo
social para poder conviver no meio deste. Dos seus 59 anos vividos, em mais da metade presenciou a opulência burguesa francesa, enquanto na fase final, assistiu à tensão pela disputa de mercados entre as potências européias. Foi com Émile Dürkheim que a Sociologia passou a ser considerada uma ciência, estabelecendo-lhe uma base empírica, com métodos próprios de investigação e demonstrando que seu objeto de estudo, os fatos sociais, teriam características próprias, que os distinguiriam dos estudados pelas demais ciências. Dürkheim compreendia o quadro avassalador colocado pela questão social, mas discordava essencialmente do conteúdo de soluções que começava a ser proposto pelo pensamento socialista. Ansioso e com um interesse quase desesperado, Dürkheim procurava com seus métodos de análise e objeto de estudo, explicações para as modificações estruturais ocorridas com o advento da
sociedade moderna. O tempo todo ele considera que a sociedade precisaria ser estudada como um fenômeno ímpar; como uma unidade ou sistema organizado de relações permanentes e mais ou menos definido, com leis naturais de desenvolvimento que são baseadas na articulação de suas partes. É por isso que para Dürkheim, a sociedade é semelhante a um corpo vivo, onde cada órgão cumpre uma função, ou seja, as partes (os fatos sociais) existem em função do todo (a sociedade). E sendo a sociedade um organismo vivo, pode ser encontrado em dois estados: o normal, que define o que acontece com certa regularidade na sociedade e o patológico, que segundo sua analogia, seria tudo aquilo que define um comportamento doentio e, como tal, deve ser isolado e tratado porque põe em risco a harmonia e o consenso, estando fora dos limites permitidos pela ordem social e pela moral vigente. Assim, para ele, a sociedade moderna estaria doente porque deixou de exercer o papel de “freio” moral sobre os indivíduos. Então, como Dürkheim considera que os problemas, conflitos e crises da sociedade são sintomas dessa doença, ele propõe um caminho a ser trilhado para uma possível “cura” e a resposta estaria em solidariedade social, ou seja, a adoção de uma conduta comunitária única, com valores grupais a serem respeitados. A solução estaria em, seguindo o seu exemplo de um organismo biológico, onde cada orgão tem uma função e depende dos outros para sobreviver, se cada membro da sociedade exercer uma função na
divisão do trabalho, ele será obrigado através de
Um sistema de direitos e deveres, e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. O importante para ele é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que realmente precise da sociedade de forma orgânica, interiorizada e não meramente mecânica. Segundo Dürkheim, a solidariedade permite a integração geral da sociedade, porque tem natureza moral. Nesta nova sociedade, o indivíduo é socializado porque, embora tenha uma esfera própria de ação, depende dos demais e, por conseguinte, da sociedade resultante dessa união. Nesta sociedade predomina a solidariedade orgânica, ou seja, uma sociedade em que os indivíduos estão unidos em virtude da divisão social do trabalho. Vale ressaltar que a divisão social do trabalho, explicitada pelo teórico, não se refere apenas à especialização de funções econômicas, mas também pelas diferentes esferas sociais que se diferenciam e se especializam cada vez mais, como a economia, a política, a educação, o direito e outros. Além disso, a divisão social do trabalho, exerce noshomens a função daquele já falado “freio” moral que, segundo o autor, estava em falta dentro da sociedade moderna. A solidariedade orgânica é fruto das diferenças sociais, mas são essas diferenças que unem os indivíduos pela necessidade de troca de serviços e pela sua interdependência. É neste ponto que encontramos a originalidade da obra de Dürkheim, que nos apresenta a divisão social do trabalho como um novo mecanismo de integração social. Verdade ou não, ele defende as suas idéias e parece mesmo provar que a solidariedade orgânica prevalece nas sociedades complexas de tipo capitalistas, onde, através da acelerada divisão social do trabalho, os indivíduos se tornam interdependentes e suas funções são vitais para o funcionamento do sistema social. Neste tipo de solidariedade a consciência coletiva se afrouxa, dando espaço à consciência individual que expressa o que temos de pessoal e distinto. Para Dürkheim, a anarquia dominante não poderia ser só resultado de uma distribuição injusta de riquezas, mas também da falta de regulamentação das atividades econômicas, ou seja, as atividades profissionais precisariam ser regidas por uma nova moral e o mundo do trabalho, em sua opinião, poderia exercer a regulamentação moral nas sociedades. Neste sentido, a profissão assume grande importância, substituindo a família, a religião e o Estado como instituições integradoras. Enfim, Dürkheim entendia que a sociedade predominaria sobre o indivíduo, uma vez que ela é que imporia a ele o conjunto das normas de conduta social e finalmente, a divisão social do trabalho o encaminharia para uma relação de interdependência benéfica e eficaz.
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