Sem instrução, desempregado, tido como inapto para o trabalho, ele
está reduzido a uma
metáfora infame: é um
descarte humano que vive do descarte da sociedade. Mas não só ele foi tragado por esta moenda capitalista, cuja engrenagem é um sistema de produção e consumo.
Para muitos, esta sensação de descarte já nem incomoda mais, tamanho o grau de exclusão que os lança à condição de não-ser. A exclusão faz parte de qualquer sistema social, que a todo momento exclui pessoas ou grupos de ambientes ou alguma instância da vida coletiva.
Daniel é exatamente o que se quer ver nele. Porém, mesmo excluído de tudo ele não perdeu sua condição de ser humano.