(...) de fato fez-se no Brasil
uma escravidão que deve, em primeiro lugar, contribuir para o desenvolvimento de um tipo de produção agrícola, de metais nobres e pedras preciosas, e nos centros urbanos, de uma produção artesanal e de serviços
sociais. Relações de exploração bem mais próximas de certas modalidades de escravidão antiga que da servidão patriarcal africana.
Esse ressurgimento de um modo de produção muito antigo desenvolve-se no âmago de uma economia capitalista em expansão, através de formas novas que coexistem com as antigas para criar um conjunto original. Pode-se realmente falar de relação de produção e de exploração de maneira idêntica, quando se trata de serviços sociais como o transporte de mercadorias , a navegação, as tarefas domesticas? O escravo que aluga seus serviços no mercado de trabalho é explorado e explorador ao mesmo tempo? O escravo que é também possuidor de escravo será escravo e senhor? Existem varias espécies de escravos, entre essas e outras classes sociais?
Somente se podem sugerir respostas a tais perguntas conhecendo melhor a infinitas variedades de condições materiais e efetivas experimentadas pelos escravos brasileiros nos três séculos de sua historia.
Neste
texto de Kátia de Queirós, encontramos algumas características marxistas, uma vez que a autora enfatiza o trabalho que na visão marxista é colocado como categoria central na vida humana, característica da forma capitalista de produção. È a desumanização de si, enquanto homem, e de todos os homens.
A sede pela propriedade privada, o lucro, a avareza, a concentração de renda, tornam o capitalismo sem alma, exploradores do trabalhador que se vê obrigado a vender a sua força de trabalho ou se tornarem escravos – único meio de produção que detem.
Outra característica marxista diz respeito aos produtos das relações econômicas de época. Assim apesar das diversidades aparentes, escravidão, servidão e capitalismo como estão claros no texto, são etapas sucessivas de
Um processo único. A base da sociedade é a produção econômica. Sobre esta base econômica se ergue uma superestrutura, um estado e as idéias econômicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e artísticas. E surgem novos modos de produção que como esta no texto “desenvolve-se no âmago de uma economia capitalista em expansão, através de formas novas que coexistem com as antigas para criar um conjunto original...”.
Mais resumos sobre Caracteristicas do Marxismo no texto de Kátia de Queirós