Dívida para com a língua portuguesa, ortodoxia marxista-leninista, interesse
pessoal, uma provocação que deve ser motivo para reflexão... São algumas
reacções à entrevista de José Saramago ao DN de ontem, em que o Nobel
afirmou: "Portugal acabará por integrar-se na Espanha"
"A visão do sr. Saramago é uma visão do século XIX e não do século XXI. É
muito fácil odiar Portugal no estrangeiro, o que é difícil é defender os
interesses de Portugal no estrangeiro e isso o sr. Saramago é manifestamente
incapaz de fazer." Foi desta forma que Martins da Cruz, ministro dos
Negócios Estrangeiros do Governo de Durão Barroso e antes disso embaixador
de Portugal em Madrid, comenta as declarações do Nobel português.
A entrevista do José Saramago que afirmou: "Portugal acabará por integrar-se
em Espanha.", foi alvo de duras críticas não só por parte de Martins da Cruz
mas também dos escritores Vasco Graça Moura ou Manuel Alegre. "Ele tem a
responsabilidade de ter ganho o Nobel da Literatura com a língua
portuguesa", disse o poeta/deputado. "Saramago concebe a realidade como
sendo gerível com uma engenharia de racionalidade", sublinhou Graça Moura.
Loureiro dos Santos escolheu ironizar. O general chamou a atenção para "as
certezas" de muita gente que nunca se chegam a concretizar. Quanto ao
jornalista catalão Ramon Font, antigo correspondente da TVE em Lisboa,
declarou-se surpreso com as palavras de Saramago e concluiu: "Portugal
aguentou oito séculos. Não estou a ver essa situação alterar-se
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