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Os Desafios da Inclusão da Pessoa com Deficiência no Ambiente de Trabalho
Em uma análise retrospectiva em torno da pessoa com deficiência , verifica-se que
sua trajetória acompanha a evolução histórica da conquista dos direitos humanos. Nas discussões a esse respeito e que duram séculos, os "deficientes" sempre foram percebidos como seres distintos e à margem dos grupos sociais. De acordo com o Instituto Ethos (2002), para efeito do artigo 5º, parágrafo 2º, da Lei nº 8.112/90 e do artigo 93, da Lei nº 8.213/91, bem como as demais proposituras legais que atinjam os interesses da pessoa com deficiência, frente ao mercado de trabalho, considera-se a redação do Decreto n. 914, de 6 de setembro de 1993 que dispõe: Art. 3º. Considera-se pessoa portadora de deficiência aquela que apresenta, em caráter permanente, perdas ou anormalidades de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. (Instituto Ethos, 2002, p.71). Para Stainback e Stainback (1999), a inclusão é uma atitude, uma convicção. Não é uma ação ou um conjunto delas, é um modo de vida, fundado na convicção que cada indivíduo é estimado e pertence a um grupo. A presente investigação,teve como objetivo buscar compreender como as pessoas com deficiência física percebem sua inclusão no ambiente de trabalho. Participaram dessa pesquisa com o projeto aprovado pelo comitê de ética da Universidade Católica de Goiás, 38 pessoas com deficiência física em situação de desemprego, de ambos os sexos, com faixa etária de 20 a mais de 41 anos, de escolaridade variando de nível fundamental a superior.Utilizou-se um questionário tipo escala likert e, pode-se constatar que 71% das pessoas com deficiência física entrevistada nesta pesquisa concordam totalmente que se sentem capazes de enfrentar os desafios relacionados à sua inclusão no ambiente de trabalho, sendo que 68,4% também concordam que tratam de assuntos relacionados aos desafios pessoais do mercado de trabalho, com pessoas de sua convivência. A crença de que a inclusão social somente será possível pelo trabalho tem maior representatividade (34,2%) na opinião dos entrevistados que concordam mais ou menos com essa afirmativa. A percepção de que, além de profissionalizar para garantir a sua inserção no mercado de trabalho, é necessária uma mudança de atitude dos empregadores e sua equipe, é aceita totalmente pelo expressivo índice de 68,4%, enquanto que 60,5% também concordam totalmente que o critério utilizado para a sua contratação em uma empresa/instituição seja a comparação de sua qualificação profissional com o perfil do cargo a ser preenchido. Todavia, quando se trata de leis que reservam cotas no mercado de trabalho para as pessoas com deficiência (PCD), tem-se a proporção de 36,8% das pessoas que concordam mais ou menos de que elas somente agravam o problema da discriminação e do preconceito. A parcela de 50% dos entrevistados concorda totalmente que, para não haver discriminação na contratação de uma PCD, é necessário que os processos de recrutamento, seleção e treinamento sejam iguais aos aplicados para as pessoas sem deficiência, o que não é a opinião de 21,1% que discordam totalmente, sendo este o mesmo percentual representado por aqueles que concordam mais ou menos. Há uma discordância total, na opinião de 31,6% dos respondentes, de que as vagas oferecidas pelas empresas, publicadas nos jornais, podem ser preenchidas por qualquer pessoa deficiente. Constatou-se que 65,8% do grupo entrevistado procura estar sempre em contato com entidades de formação profissional para se aperfeiçoarem profissionalmente, enquanto que 71,1% acreditam totalmente que os motivos que impedem ou dificultam a contratação de pessoas com deficiência sejam principalmente a falta de informação sobre suas habilidades. O preconceito, como fator principal que contribui para aumentar as dificuldades da PCD em ingressar no mercado de trabalho é uma hipótese que tem a expressiva concordância total de 73,7% das pessoas entrevistadas. Quando o assunto é o enfrentamento de dificuldades para ter acesso a cursos profissionalizantes e um futuro emprego, verifica-se um percentual de 52,6% que concordam mais ou menos que isso acontece, A premissa de que o convívio social no ambiente de trabalho pode melhorar a auto-estima tem a concordância total de 81,6%. No entanto, 57,9% também concordam totalmente que o campo profissional não abre espaço e oportunidades de trabalho às pessoas que apresentam algum tipo de limitação física. A concordância total diminuiu para 55,3% quando se trata das opiniões e atitudes adotadas pelas pessoas no ambiente de trabalho sobre deficiência e capacidade como grandes obstáculos à inclusão das PCD na sociedade. E diminui mais ainda (para 44,7% totalmente e 42,1% mais ou menos) sobre a premissa de que a falta de qualificação profissional dificulta a entrada dessas pessoas nas empresas. Quanto ao acesso físico, 34,2% concordam mais ou menos de que a preocupação com a segurança e os equipamentos de trabalho são fatores que dificultam muito a inclusão da PCD no ambiente de trabalho, sendo este o mesmo percentual dos que também concordam mais ou menos com a afirmativa de que, após adaptações das condições físicas e de equipamentos do ambiente de trabalho, as pessoas no geral estão preparadas a incluir a PCD. No desenvolvimento da pesquisa pôde-se evidenciar que a baixa qualificação e o desconhecimento das exigências do mercado são entraves importantes à inclusão da pessoa com deficiência no ambiente de trabalho. Mas não os únicos. Preconceitos e atitudes adotadas pelas pessoas a respeito da deficiência são recorrentes de baixa auto-estima e, por conseqüência, atrapalham o desenvolvimento dessas pessoas que, mesmo assim, persistem em acreditar que podem contribuir de maneira significativa para a sociedade, com seu trabalho, fruto de sua competência. Registra-se que o assunto tratado neste artigo é passível de discussão, devido à sua contemporaneidade e relevância para os profissionais da Psicologia, como fator de reflexão sobre as possíveis contribuições/intervenções no âmbito desta ciência, para o enfrentamento dos desafios da inclusão do PCD no ambiente de trabalho. Considera-se a necessidade de um plano de intervenção, junto à classe empresarial, com vistas a criar mecanismos eficazes no reconhecimento das potencialidades dessa população.
Palavras chaves:
Desafios da Inclusão, Ambiente de Trabalho, Trabalho da pessoa com deficiência física.
Publicado em: junho 25, 2007
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