Nos tempos atuais o desenvolvimento científico e tecnológico é tão rápido que invariavelmente não conseguimos acompanhar todas as suas inovações. Se tomarmos como exemplo o nosso computador, a cada "upgrade" que é necessário para atualizá-lo, notamos que ele, apesar de ultrapassado, possuia muitas funções que ignorávamos e, por isso, ele estava extremamente limitado em seu funcionamento.
Na mão de
um especialista, que o conhece profundamente, ele possui muito mais capacidade do que imaginávamos. A artificialidade das limitações que tínhamos imposto ao noso equipamento se torna nítida. O especialista nos mostra que ele era capaz, por exemplo, de fazer o seu próprio "check up" interno, mostrando que era possível aumentar a sua performance e realizar operações que nós nunca tínhamos imaginado. As limitações, portanto, não estavam nele, não eram intrínsecas do nosso computador. Elas estavam em nós e foram criadas artificialmente devido ao nosso desconhecimento da sua operacionalidade e muitas delas foram imediatamente removidas quando aumentamos o nível dos nossos conhecimentos.
Esse exemplo e muitos outros na ciência e no nosso cotidiano, nos fazem tomar consciência de que, a grande maioria das limitações que nos impomos ou que atribuímos aos outros é criada artificialmente como conseqüência do nosso nível de conhecimento. Eles nos mostram que, enquanto não conhecermos profundamente a nós mesmos e a nossa realidade, é completamente insconsistente impor limitações. Seria muito mais seguro, nessas condições, adotar a visão científica de que tudo é possível. Quem de nós se atreveria a descrever, com segurança, todas as potencialidades e as limitações do nosso computador interno, o nosso cérebro?
Infelizmente as nossas auto-limitações possuem um papel importante em nossa vida. Apesar de serem artificialmente criadas nós, invariavelmente, acreditamos na sua realidade e nos submetemos a elas deixando que imponham restrições nos encarcerando em suas prisões artificiais. Nós nos comportamos como um elefante condicionado pelo treinador que, ignorando a sua tremenda força, se deixa prender por um frágil barbante em um pequeno arvoredo!
Por coerência, portanto, sempre que tivermos a tendência de nos colocar limites, de achar que não temos capacidade de realizar algo que se apresenta em nosso cotidiano, devemos nos questionar se nós realmente já nos conhecemos suficientemente bem a ponto de poder avaliar com segurança todas as nossas potencialidades. E se levarmos em consideração que, nem o mais importante cientista da terra, conhece profundamente a capacidade de uma única célula do nosso corpo físico, chegaremos rapidamente a conclusão lógica de que todas as limitações que estamos nos impondo não possuem bases sólidas e, por isso, podem e devem ser transcendidas. Se nós ainda não nos conhecemos, como poderemos saber do que somos capaz?
Atualmente vivemos em uma realidade onde a própria ciência moderna tende a reconhecer que todas as possibilidades estão presentes, em um universo onde tudo é possível. As nossas limitações, portanto, são criadas pelos nossos preconceitos e não são reais. Elas possuem o poder de nos aprisionar, mas são inconsistentes coma nossa realidade. São tão frágeis como os barbantes e os pequenos arvoredos de prender elefantes e nós, como eles, estamos livres e não sabemos. E, se almejamos ser livres, qual o sentido de ficarmos construindo as nossas prisões artificiais? O segredo da felicidade está na liberdade e o da liberdade na coragem. Talvez nos falte ainda a coragem de reconhecer que podemos ser felizes!
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