Sociólogo suíço, Philippe Perrenoud é um referencial imenso para os educadores, em virtude do
pioneirismo de suas idéias sobre a profissionalização de professores e a avaliação de estudantes. Perrenoud é doutor em sociologia e antropologia, professor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Genebra e diretor do Laboratório de Pesquisas sobre a Inovação na Formação e na Educação (Life), também em Genebra.
O professor deve ser um tradutor do conhecimento. Essa competência deveria estar no centro da formação inicial dos educadores, mas infelizmente isso nem sempre acontece. Não basta conhecer a matéria para começar a lecionar. É necessário rever a formação inicial dos docentes para dar mais ênfase às competências de transposição e de gerenciamento do saber.
Essa habilidade se desenvolve ao longo da vida, à medida que se defronta com os obstáculos. Por exemplo, quem explica frações e percebe que talvez quatro de cada cinco alunos não entenderam absolutamente nada de sua aula deverá tentar na aula seguinte ser mais concreto, achar novos exemplos. É um processo contínuo, pois os estudantes se renovam e há sempre alguns para os quais é necessário encontrar uma linguagem nova.
O ideal é que um professor que de início era
compreendido por três crianças em uma classe de 30 passará a ser compreendido por seis, depois por nove, etapa a etapa, até ser compreendido por todas. o professor deve inovar diferentes formas de comunicação, até ser compreendido por todos os seus alunos. Isso exige lutar contra toda espécie de perfeccionismo. É uma tarefa que demanda tempo. A experiência vai ensinando o profissional a discernir uma série de fatores, a tal ponto que seus alunos pensam que ele tem olhos nas costas! Ele escuta ruídos, percebe quando começa a agitação e quando a concentração diminui. Quanto maior sua capacidade perceptiva, maior sua habilidade em improvisar.
Com base em entrevista constante no site:
http://revistaescola.abril.com alice martins