La Vanguardia
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Publicado em: novembro 11, 2007
Música estimula áreas cerebrais ligadas à linguagem
Mónica Planas
A música estimula áreas do cérebro envolvidas no aprendizado da linguagem, de acordo com uma pesquisa da Universidade Northwestern publicada pela Proceedings, a revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
A pesquisa foi conduzida com adultos dotados, em sua maioria, de boa formação musical, mas os autores do trabalho defendem a teoria de que seus resultados também se aplicam a pessoas com formação musical menos refinada, e a outras faixas etárias. Ainda que por enquanto não haja pesquisas sobre a influência da música sobre as áreas responsáveis pela linguagem no cérebro das crianças, os autores do estudo defendem o reforço do ensino de música nas escolas.
"Falar e aprender a ler implicam capacidades multisenssórias semelhantes às que os músicos desenvolvem. A educação musical configura a capacidade de escuta, não só no momento de ouvir música ou tocar um instrumento mas também no momento de falar", disse Nina Kraus, diretora do Laboratório de Neurociência Auditiva da Universidade Northwestern e co-autora do relatório. "A pesquisa se revela como ferramenta essencial para ajudar crianças que enfrentam dificuldades com a linguagem e deficiências de aprendizado".
A equipe de pesquisa oferece um argumento que reforça essa teoria: a perda do senso de audição, afirmam os estudiosos, causa dificuldades de aprendizado. De maneira oposta, estimular e potencializar ao máximo esse sentido produziria mais benefícios e mais facilidade de aprendizado. Como exemplo, eles apontam que os músicos precisam estar atentos aos sinais musicais de seus colegas, durante as apresentações, e devem ler, sentir e escutar a um só tempo. Essa capacidade repercute de maneira favorável em sua capacidade de comunicação, especialmente a fala.
A pesquisa envolveu um grupo de 29 pessoas com idade média de 25 anos. Dentre elas, 16 tocavam algum instrumento desde os cinco anos de idade, e as demais 13 tinham níveis distintos de formação musical, incluindo em alguns casos pessoas que jamais haviam assistido a uma aula de música. Todos os participantes passaram por eletroencefalogramas para medir sua atividade neurológica enquanto estavam expostos a outros estímulos.
Eles recebiam imagens acompanhadas pelo som de uma pessoa pronunciando sílabas. Também assistiam a um vídeo de uma pessoa tocando um violoncelo. Posteriormente, lhes foram tocados apenas os sons referentes às imagens anteriores, e eles assistiram a um filme mudo e sem linha narrativa, concebido unicamente para atrair sua atenção visual.
Ao medir as respostas elétricas do cérebro, os pesquisadores constataram que elas eram extremamente sensíveis ao ritmo do som. Os pesquisadores constataram que, nas duas situações testadas, os músicos exibiam maior capacidade de decifrar as mudanças sonoras relacionadas a freqüência e tom. Não só havia mais atividade neurológica em certas áreas do cérebro como elas respondiam com mais rapidez aos estímulos, se comparadas aos resultados dos não músicos.
"Sabemos, de forma empírica, que a música estimula o diálogo entre os hemisférios do cérebro", explica Cori López Xammar, psiquiatra da clínica Sagrada Família e pianista formada. Os pesquisadores agora esperam desenvolver pesquisas mais amplas e envolvendo voluntários de perfis diferenciados, a fim de determinar se a música beneficia o aprendizado, na infância, e para descobrir que formas de aprendizado podem se beneficiar mais da música.