Colorado Springs
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Publicado em: março 17, 2008
Intuição é fruto da experiência de vida A primeira impressão sobre uma pessoa que acabamos de conhecer, a rápida decisão que tomamos num momento de perigo tudo isso se enquadra no que chamamos intuição ou até pressentimento, categorias que a ciência tem geralmente remetido para o campo da crença e superstição. Agora, há um grupo de cientistas que vem afirmar que a "pulga atrás do ouvido" tem uma explicação. Afinal, na base desse tipo de decisões, o nosso cérebro nada mais faz do que ir buscar experiências anteriores.
Temos dificuldade em explicar por que razão acertamos em pressentimentos e na instantânea empatia ou antipatia para com alguém que acabamos de conhecer. Apesar de praticamente quase toda a gente ter confirmado que essas sensações são certeiras em grande parte das vezes, a ciência sempre as remeteu para campos que não lhe pertencem e que são falhos de prova. Agora, alguns investigadores vêm admitir que a intuição é um fenómeno psicológico que se explica bem.
Uma pesquisa coordenada por Gerard Hodgkinson, da Universidade de Leeds, descreve assim o processo que desembocará nos episódios intuitivos o cérebro mais não faz do que, num ápice, e perante uma situação, ir buscar informações a situações que já vivemos, ajustando-as para decidirmos um acto ou formar uma opinião. Todo esse processo se passa a um nível de que não tomamos consciência e daí alguma aura de mistério e superstição que o tem rodeado.
Os autores do estudo consideram que os bons ou maus pressentimentos, afinal, são tão válidos quanto um raciocínio lógico e que bem poderemos seguir mais vezes aquilo que é mais do que o nosso próprio palpite.
Gerard Hodgkinson descreve o que aconteceu com um piloto de Fórmula Um que se sentiu impelido a travar antes de fazer uma curva em gancho que se lhe apresentava. Se o não tivesse feito, iria colidir com outros carros que haviam sofrido um desastre mais à frente. Mas o piloto não sabia explicar a sensação de risco. O motivo para a travagem só ficou explicado depois de algumas sessões de análise por psicólogos e pela passagem de um vídeo. De forma muito subtil, que não deu para ele apreender logicamente, ele vira que a multidão não estava a aplaudir a sua chegada, mas sim a olhar para o outro lado e sem se mexer. Algo não "batia certo", foi o que o seu cérebro lhe disse sem que ele tivesse racionalizado sobre a existência de um risco e a forma de o evitar.
Para o coordenador do estudo da Universidade de Leeds, as intuições que temos baseiam-se na avaliação muito rápida das pistas que possuímos sobre um dado acontecimento ou pessoa, pistas essas que assentam nos ensinamentos retirados de situações pelas quais já passámos. Hodgkinson afirma que a verdadeira intuição é experimentada em momentos de grande risco ou quando estamos submetidos a um bombardeamento de informações com vista a uma decisão e ainda a pressões de tempo . Por regra, isso coincide com situações em que ficamos impedidos de fazer uma análise consciente da realidade.
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