O PÃO QUE O PETRÓLEO AMASSOU
Parece que o preço alto do trigo e do petróleo nos mercados internacionais não vai baixar - veio para ficar.
Aumenta a insatisfação sentida no bolso do zé-povinho e aumenta também o número de países onde se tem feito sentir este descontentamento. Os tempos que
correm e os que estão para vir vão ser muito complicados.África não foge a regra. Nos últimos meses houve manifestações e greves, algumas dispersas à tiro, a contestar o aumento do preço do pão ou dos transportes públicos e privados. Em Novembro último foi no Senegal e na Mauritânia; em Dezembro e com repetição em Março deste ano, foi na Suazilândia; na mesma altura registam-se contestações na Guiné-Conacri; em Fevereiro de 2008, seguiram-se Moçambique, os Camarões e o Burkina Faso. Em vários países, as
panificadoras começam a fechar as portas.
Em Angola, por exemplo, a imprensa dava conta este mês da redução dràstica de produção das panificadoras privadas.Exige-se a redução dos direitos alfandegários sobre a importação destes produtos mas o Estado não dispensa essas receitas. Por outro lado a seca afecta alguns países e a procura mundial é superior à oferta. Esta é também a factura que hoje se paga por não se ter dado a devida atenção ao fomento agrícola nacional desde há muito. Há que ter em conta que nos tempos que correm a produção agrícola está destinada aos biocombustíveis em detrimento da satisfação alimentar.
São os motores a competir com o estômago das pessoas. Dos 50 países mais pobres do mundo, a maior parte gasta até seis vezes mais em petróleo do que em saúde e o dobro relativamente aos programas de redução da pobreza.
A estabilidade política em África está ameaçada pelo pão e o gasóleo.
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